Ao Vivo – Patrulha do Espaço – Led Slay – 2003

Zona Leste de São Paulo, seguramente a mais antiga e maior casa de Rock do Brasil, Led Slay. Trinta e um anos sem parar! Chegamos por volta das 3 da tarde e começamos a descarregar o Azulão. Desta vez temos o retorno de Daniel que agora ostenta um “Black Power” enorme. Brinco com ele chamando-o de “Tim Maia Cover”. Ele, Raul e Samuca começam a montar a parafernália enquanto Evaldo, operador de som, também trabalha. A Led Slay é uma casa muito grande, já teve 4.000 pessoas, mas aquela hora está deserta.

Por volta das 5 da tarde a banda chega. Sentamos no bar externo, Eu, Junior, Rodrigo, Luiz Domingues e Marcello e tomamos uma ligeira breja. A expectativa para o show é grande e procuramos relaxar. Por volta das 6, a banda vai pro palco e começa a passagem de som. As 8 parece tudo Ok e retorno a minha casa, que é ali próxima.

Nicolau, velho amigo e Silvia, estão lá e vieram de Jacareí especialmente pra ver o show e dar uma força. Um banho rápido e rumamos de volta pra Led. 9 horas, a casa abre e a galera começa a chegar.

Por volta das 11, chega o pessoal da banda acompanhados de Alexandra Silveira, nossa tão amada “Janis”, que veio fazer uma participação especial. Pouco depois é a vez de uma grande surpresa: Dudu Chermont, músico fundador da banda e que depois de alguns problemas de saúde está exultante por tocar.

Chegam também o pessoal da Rock Brigade, a lindíssima jornalista Patricia acompanhada de seu fotógrafo e turma da Cosmosom que vai filmar o show. Também temos a presença marcante e maravilhosa de Reviane, da Kozmic Blues.

Também é necessário registrar a presença de Domingos, que pouco mais de uma semana antes, quando a Patrulha participou de um programa da Rádio Jovem Pan, ligou para lá e disse que estava num show da banda em 79 na Tarkus. Velhos amigos, velhas recordações e um novo tempo, diferente mas não pior, apenas novo!

Meia noite e meia, a banda sobe ao palco. A vontade de tocar é tão grande que resolveram tocar antes das bandas de abertura. “Não Tenha Medo”, seguida de “Festa do Rock” e a partir dai, a noite rola, com um dos mais inesquecíveis shows que a Patrulha proporcionou até hoje.

Num determinado momento, Alexandra sobe ao palco e manda duas músicas que gravou com a banda em “Chronophagia”: Sunshine e Terra de Mutantes, depois duas da Janis. Mais algumas músicas e Dudu sobe ao palco, empunha sua guitarra e solta Arrepiado e Depois das 11. Como é bom ver Dudu Chermont de volta ao palco! “Como é bom tocar”, ele diz quando eu o abraço numa reverência.

É difícil comentar sobre o que se sente durante um show destes! Uma emoção impar que talvez apenas a poesia possa traduzir. Estar ali, participar disto… parece um sonho… “um sonho eterno de Rock’n’Roll.”

Duas horas do mais puro Rock and Roll, duas horas de sonho e de som! Duas horas…. 25 anos em duas horas. Ricardo, que é irmão do Marcello e baixista do Baranga, faz 26 anos naquele dia e mais um motivo de festa. Claro que empunharam “Meus 26 Anos” com ele. Walter Baillot, autor da música e ex guitarrista da Patrulha e do Joelho, já falecido, é homenageado também.

Neste momento estou ali, atrás da batera, e vejo a galera presente na Led Slay urrar! Parece que os deuses do Rock And Roll desceram a Terra para presenciar aquele show. Com certeza, no meio daquela galera, agitando como loucos, estão Serginho Santana, Waltão e outros tantos cujas almas vendidas ao Rock And Roll se fazem presentes.

Por volta de quase três da manhã, o tão esperado “Grand Finale”: Columbia, numa Jam com a presença da Alexandra e do Dudu e a Led Slay vem abaixo….

Seis e pouco da manhã. Mais um dia amanhece, mas não é um dia comum… é um dia que sorri em forma de sol… os deuses do Rock estão felizes…

3/29/2003

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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