Ao Vivo – Patrulha do Espaço – Tour Saideira 2007/2008 – Dia 2

Existia um conceito vigente no Rock dos anos 60 e 70, que roqueiros tinham que morrer antes dos 30 anos, que envelhecer era sinônimo de comodismo, falta de vigor e criatividade. Muitos artistas do Rock se deixaram levar por esse conceito e “se morreram” naquela época.

Muitos gritavam aos sete ventos e microfones que não chegariam aos trinta… de idade. E o pior é que eles, ao mesmo naquela época, eram honestos em suas crenças. Aliás, quem, com 18, 20 anos nunca pensou que não queria chegar aos trinta, que gostaria de morrer antes?

Mas o tempo, senhor implacável da realidade, dos fatos e principalmente da razão, foi passando e carregando em suas costas a maior parte deles. E eles passaram dos trinta… dos quarenta… dos cinqüenta e hoje até dos sessenta. E portanto não apenas eles não morreram antes  dos trinta, como as próprias bandas sobreviveram aos trinta, quarenta…

A Patrulha do Espaço, fundada na segunda metade dos anos 70 do século passado, há exatamente trinta anos, é um exemplo de que o  Rock e os Roqueiros podem chegar bem acima dos 30, 40, 50. E sem perder o vigor e a criatividade. Mas pode também mesclar a juventude com a maturidade. Reunindo músicos acima dos 50, como Rolando Castelo Júnior,  Percy Weiss e René Seabra, com a garra juvenil de Marcelo Schevano, a Patrulha, como banda, chegou a maturidade cheia de tesão.

Schevano nem tinha nascido quando a Patrulha ergueu as rodas do chão e alçou seus primeiros vôos. Júnior era um garoto de cacheados cabelos louros e logos e hoje é um “senhor” de cabelos longos… Mas brancos. Percy era o arrebatador de corações femininos e hoje é também um senhor de barriguinha proeminente. Mas ambos mantêm ainda o eterno espírito “juvenil” do Rock e principalmente continuam bebendo na fonte das cristalinas águas que brotam das profundezas da terra do Som.. Mas o que une a tripulação da Nave Ave e a mantém em pleno vôo é, sem dúvida, o amor pelo Rock’n’Roll,,e o fato de que ainda podemos acreditar no “sonho eterno de Rock’n’Roll”.

Para o Rock não existem barreiras de idade. Pelo menos aqui, ninguém se importa se você tem 20 ou 60. O espírito do Rock é isso: união e quebra de preconceitos. Não existem cores, barreiras internacionais, fronteiras… Portanto, longa vida ao Rock’n’Roll. Bem acima dos 50 que este “senhor” já completou.

No segundo dia de Centro Cultural São Paulo, o repertório apresentado foi praticamente o mesmo. Tocados em ordem diferente e com convidados diferentes. A primeira parte, com Marcelo Schevano na Guitarra e Vocais teve: Homem Carbono, Ser, Deus Devorador, e São Paulo City. Depois, com a presença marcante de Percy Weiss, Festa do Rock, Não Tenha Medo, Cão Vadio, –  esta com a presença de Nelson Brito, do Golpe de Estado no Baixo, que fez um pequeno discurso sobre o fato de que ele e Paulo Zinner tinham visto a Patrulha tocar na adolescência -. Bomba e Depois das 11 completaram esta parte.  Em seguida, algo histórico e inédito, Rolando Castelo Júnior cede seu banquinho a ninguém menos que um de seus maiores discípulos e amigos: Paulo Zinner que mesmo tocando num “kit” totalmente diferente do que é acostumado, mostrou porque é hoje, juntamente com Paulo Thomaz, integra o time dos maiores bateras brasileiros. A música escolhida, “Meus 26 Anos”, com a letra um pouco mudada, onde a irmã do protagonista, deixou de ser “solteirona” para virar “sapatona”… Muito bem humorado, porque afinal uma mulher solteirona desde os anos 70 deve mesmo ter virado “sapatona”. (Isso é só uma brincadeira, machista e sexista, mas brincadeirinha!).

Olho Animal e Arrepiado, com o timbre vocal do Percy são insuperáveis e são as próximas. A seguir, Fabrizio Michelloni, companheiro de Marcelo Schevano na “metálica” Carro Bomba, sobe ao palco e detona a ultra-pesada Robot. Pauleira, pauleira… Muito foda!

E como sempre, a música de encerramento é Columbia e depois o bis,  Meus 26 Anos com, novamente os Schevano Brothers fazendo a dupla de cordas. É, a festa do Rock no Centro Cultural acabou, mas ela continua em todas as esquinas e “Ruas da Cidade” onde exista um roqueiro, de 20, 50 ou 90 anos que ainda acredite no “Sonho eterno de Rock’n’Roll”… Long Live Patrulha do Espaço!

9/23/2007

Set List:
Homem Carbono
Ser
Deus Devorador
São Paulo City
Vou Rolar (PW)
Festa do Rock
Não Tenha Medo
Cão Vadio (NB, Baixo)
Bomba
Depois das 11
Meus 26 Anos (PZ, Bateria)
Olho Animal
Arrepiado
Robot (FM, Baixo)
Columbia
Meus 26 Anos (Bis – Soneca – Baixo)

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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