Barata Com Percy Weiss 09/11/2013 Super Peso Brasil

Ao Vivo – Percy’s Band – CCSP 2007

Quando Percy Weiss nasceu, “Voz”, um dos deuses do Rock proclamou à humanidade: “Aqui tens, humanos, a minha descendência, meu dileto filho. Será este que lhes entrego, Percy Weiss, aquele que lhes encantará e trará emoções com sua Voz. Será ele, ‘A Voz do Rock’.”

O parágrafo acima é o primeiro de um release que redigi para Percy Weiss. E foi lembrando sobre a forma que acredito ter sido moldada a fantástica voz de Percy que entrei no Metrô com destino ao Centro Cultural São Paulo, em um domingo que, embora ensolarado a temperatura insistia em sem gelada.

O CCSP não é o melhor lugar do mundo para um Show de Rock, com seus horários esdrúxulos e proibições idem. Ademais, ficar o tempo inteiro sentado em “confortáveis poltronas” de madeira com parafusos espetando as costas não é a melhor posição para quem acredita como eu que Rock é Música para a Cabeça e o Corpo Inteiro.

Mas, cinco e meia da tarde cheguei à Estação Vergueiro e entrei no local. Fui direto à bilheteria onde se encontrava a figura simpática e sorridente de Lana Goulart, produtora da Percy’s Band. Ingresso na mão e percorro as galerias do Centro, a procura de caras conhecidas. Abaixo, pelas paredes envidraçadas a banda ainda passa o som. Ah, teremos participações especiais, pois percebo Xando Zupo no palco.

Logo adiante, alguém toca meu braço. É Zé Brasil, lendária figura do Rock Brasileiro, que nos anos 70 era presença constante em todos os eventos de Rock e Cultura, com seu Apokalipsis e a dupla Maytréa e Silvelena. Engatamos um papo e após breve retirada, Zé retorna com Moisés Santana. Ficamos ali papeando sobre a história e os rumos do Rock Brasileiro e Zé falando sobre seu projeto “Movimento 70 de Novo”, que tem por objetivo trazer de volta o sentido de Celebração aos eventos de Rock.

São seis da tarde e adentramos à Sala Adoniran Barbosa. Ao entramos encontro a figura do grande fotógrafo e “Movie Maker” Billy Albuquerque. Sentamos eu, Zé e Moisés na terceira fila, bem em frente ao palco. A banda (Vulcano, Guitarra; Ricardo Costa, Contrabaixo e Ronaldo Simões, Bateria) adentra ao palco e começa a pauleira. Após uma breve introdução da banda, Percy com uma lata de cerveja em cada mão e uma barriguinha bem proeminente (Desculpa, Percy, mas tá cruel essa sua barriga!) detona os primeiros versos de “Massacre”, música que ele gravara com o Made In Brazil  e que teve sérios problemas com a censura militar na época, só vindo à publico ano passado. “Festa do Rock”, clássico dos clássicos, da Patrulha do Espaço é a segunda música e a Voz de Percy entoando “Será uma festa muito louca, de sonho eterno de Rock’n’roll” é realmente uma festa.

“Vou Te Virar de Ponta Cabeça”, também do repertório do Made, e segue-se a ela uma das músicas mais porrada do repertório da Patrulha do Espaço: “Olho Animal” (“Desce o véu negro da noite/São dois olhos na escuridão/Quem será a vitima fatal?”). A Percy’s Band detona e em seguida, uma música do novo repertório da banda “Eu Não Presto”, que alías para nosso orgulho, faz parte da “Coletânea Virtual A Barata – Sexo, Baratas & Rock’n’Roll), cujo refrão é “Todos nós somos quase iguais / Todos nós somos quase normais”. A próxima música, segundo Percy, é uma “homenagem” à política brasileira: “Bomba” (“Às vezes eu penso/Só uma bomba pode mesmo acabar/Com todo esse lixo…”) Uma letra interessante e um peso pra metaleiro nenhum botar defeito. Querem mais?

Dentro desta jornada pela história do Rock Brasileiro na Voz de Percy Weiss, as duas músicas a seguir são da época em que ele gravou o disco “7” da banda Harppia. “Doutor” e “Calada da Noite”. Após isso adentra ao palco o guitarrista Xando Zuppo, atualmente da banda Pedra e que gravou com Percy na Patrulha do Espaço um dos melhores discos de Hard Rock Brasileiros: “Primus Inter Pares”. “Cidade Nua” é o som e Xando arrebenta.

No momento seguinte Percy diz que vai cantar uma balada Rock e tal. Espero que ele cante “Arrepiado”, pa mim uma das baladas Rock mais bonitas que conheço. Ele conta a história da música, mas fala que escolheu outra, de sua antiga banda “Quarto Crescente” e a música é “Boa Garota”. Fico meio decepcionado, mas no meio da música já esqueci, pois esta também é muito bonita. Tá perdoado!.

“Já muito tempo que estou nessa estrada/E não pense amigo, que eu não aprendi nada”, podemos dizer que é um hino, e de uma certa forma conta história do próprio Percy. São mais de 30 anos de “Rolê da Estrada”… E ele cantava isso em 1978!!! No fantástico disco que gravou com a Patrulha, o chamado “Disco Preto”, com o falecido Dudu Chermont e o baixista Cokinho. Na versão atual, com o peso da guitarra de Vulcano e a cozinha de Ricardo e Ronaldo, a música tem uma roupagem quase “metálica”. Na próxima música, “Depois das 11”, a Voz de Percy soa como uma lixa sobre aço… E a bateria, com direito a um longo solo de Ronaldo Simões, como trovões ensandecidos…

O Show está terminando e “Jack O Estripador”, outra do repertório do Made tem também sua “Percy’s Band Version”. Se em 1978 a Voz de Percy aos 20 e poucos anos era puro fogo, hoje aos 50 e poucos, foi lapidada e é puro diamante.

Percy conclama a platéia a levantar das cadeiras, o que faço com muito gosto, pois além de um parafuso ferrando minhas costas, acho que um Show de Rock é para se curtir em pé, sacudindo o corpo inteiro. Ele chama ao palco alguém que está sentado bem à minha frente: Waltão, ex Ratos de Porão e uma porrada de outras bandas Punk. E juntos entoam um dos hinos do Rock: “Minha Vida é Rock’n’Roll”, também do Made. Percy avisa que a apresentação está no fim e que tem bis. Mas que apenas se a galera pedir vai rolar. “Eu só respiro Rock’n’Roll…”

A banda sai do palco e, lógico, pede o incitado bis. Retornam e Percy fala que vão tocar um “cover” e discursa sobre exatamente o que eu e Zé Brasil conversávamos no Saguão do Centro Cultural: o fato de as bandas se preocuparem em fazer o jogo de donos de bares e só tocarem esse tipo de música, quando poderiam estar compondo, gravando etc. Certo, Percy! E então dá-lhe ZZTop…

Os músicos, de uma forma que atualmente deixou de ser comum em Shows de Rock, retornam ao palco e abraçados, cumprimentam e agradecem a platéia. No camarim, além de Zé Brasil, Moisés Santana, a figura sempre presente do folclórico Roberto, o “Rei das Raridades”. Engato um papo com Xando sobre a resenha negativa que escrevi sobre o disco de sua banda, Pedra. Explicações de ambas as partes e um pedido e uma promessa: escutar novamente o disco deles, com outros ouvidos. Mas isso é uma outra história.

São quase 9 da noite e saio do Centro Cultural São Paulo e embarco no Metrô, com uma incrível sensação de que presenciei mais uma demonstração de que quando, “Voz”, um dos deuses do Rock proclamou à humanidade: “Aqui tens, humanos, a minha descendência… ” Ele não sabia ainda que Percy Weiss a levaria com tanta garra e paixão.

7/1/2007

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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