Conto – Ser… Ou Não Ser…

Tem horas em que é muito difícil ser uma barata. Imaginem não poder erguer a cabeça em direção as estrelas, ao céu. Imaginem passar sua existência inteira tendo que caminhar sempre rente ao chão. Queria estar ereto, caminhar sobre suas pernas em lugar das seis patas… Mas de outra forma, tem suas vantagens ser uma barata. Não é necessário qualquer espécie de cardápio especial e sempre é possível deslizar por qualquer lugar desejado.

Queria ser um ser humano ao menos por um dia. Poder sentir sensações que apenas humanos sentem, desejos que apenas humanos têm. E vícios que também são exclusivos da humanidade. Fumar, beber, usar drogas e principalmente fazer sexo sem ser por instinto. Fazer sexo pela sacanagem, pela posição social, pelo poder.

Também queria ser humano para poder acreditar em religião, deuses, anjos, essas coisas que alimentam a ilusão humana que são melhores que baratas. Queria ser humano ao menos por um dia, ganhar muito dinheiro e conquistar muito poder. Com a inteligência e o instinto que a natureza premiou as baratas, ao certo dominaria o planeta.

Então, com o poder e o dinheiro humanos e a inteligência que têm as baratas, perseguiria a todos os humanos com chinelos e inseticidas, ou melhor humanicidas. Exterminaria da superfície do planeta seres tão mesquinhos e egoístas…

01/09/2009

Em Agosto de 2009, recebi um texto de um de meus filhos, que explorava o universo de Franz Kafka, “Expressionismo Fantástico”; respondi a ele com outro de minha autoria “Impressionismo Fantástico”, e daí surgiram uma série de 20 pequenos contos de cada um versando sobre Kafka e sua obra, especialmente “A Metamorfose”, livro ao qual, entre outras coisas inspirou meu heterônimo. Pouco mais de um ano e lançávamos o que seria o terceiro lançamento da minha recém criada “Editor’A Barata Artesanal”: “Universo Expandido Ou Impressões e Expressões Baratas Sobre o Processo da Metamorfose de Kafka”. A parceria foi estendida a outro de meus filhos, que fez maravilhosas ilustrações. O livro vendeu bem, considerando-se ser uma publicação independente artesanal e a falta de apoio e divulgação, mas logo me rendeu desgostos, já que nos lançamentos eu era sempre relegado ao plano de espectador, não de editor e co-autor. Dois anos após entendi o motivo disso, quando eles exigiram que o livro não fosse mais vendido e que nada que atrelasse meu nome ao deles fosse divulgado em qualquer meio, pois eu estaria “fazendo-os passar vergonha diante dos amigos”. A razão da vergonha? A tática esquerdóide do “nós contra eles”, iniciada quando a máscara petista começou a cair. A minha parte consta nestas publicações, e o livro ainda pode ser encontrado usado à venda no Estante Virtual, com dedicatórias (menos as minhas). Alguns contos  ficaram de fora da edição original e outros foram escritor posteriormente com a intenção de uma edição solo, o que nunca ocorreu.

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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