Crônica – Amor? Nem de Mãe!

Sinceramente, não quero ser do contra, nem quero pregar o caos e a desordem. Mas não acredito nos chamados “sentimentos puros” da humanidade. A espécie humana foi derrotada pelos seus sentimentos, incluindo aqueles que são chamados “puros”. Aliás, uma coisa “pura” não significa exatamente, ao contrário do senso comum, uma coisa “boa”. Puro significa que não tem misturas e impurezas. É, não consultei o dicionario, mas não tenho nenhuma dúvida do sentido da palavra. Acaso esteja cometendo algum crime contra a língua, comuniquem.

Mas o quero falar neste artigo é sobre a questão de eu não acreditar em sentimentos “puros”. Eles não existem. Sentimento puro seria aquele sem contaminação de interesses outros, como dinheiro, poder, posição de destaque, essas coisas… E não tenho nenhum conhecimento de tanta “pureza”. Em realidade, o único sentimento humano puro, porque é real e por si só não se mistura com os outros é algo chamado hipocrisia. A culpa é caminho, a mídia que faz com que sentimentos hipócritas e mesquinhos sejam confundidos com amor. Ah, a pena também!

Eu não quero realmente aquilo que chamam de amor, porque a mim sempre foi sinônimo de dor, rima pobre, mas rica realidade. Tesão não é amor, pena não é amor, compaixão não é amor, culpa não é amor, hipocrisia não é amor, desejo não é amor. Enfim nada é amor, e o amor portanto não existe. Que outro sentimento “puro” resta? O chamado “amor de mãe”? Ora, esse é o pior, porque é o mais hipócrita. Não derrame lágrimas, nem peça perdão. Porque lágrimas sãoi hipocrisias e o perdão não existe. Perdão é um conceito estúpido e mentiroso que esses religiosos estúpidos e mentirosos colocaram na sua cabeça.

Aguardem as cenas dos próximos capítulos, mas a realidade nunca passou na TV, não existe amor, essa é que é a verdade, não caiam nessa! Não se enganem com sentimentos mentirosos e hipócritas. Qualquer médico idiota sabe porque o coração bate mais forte quando a gente se sente amando. Não existe nada além de carne, ossos e sangue. Não existe nada além de vida e morte, no sentido estrito e lógico. Estamos vivos e ponto. Vamos morrer e ponto! E acabou!

Arrisco agora um exercício de silogismo: O Amor é Deus/Deus Não Existe? Portanto o Amor Não Existe!… E sou capaz de brincar com silogismos semelhantes, jogando sempre com essas questões, mas chegando sempre a mesma conclusão: nem Deus nem o Amor existem. Interessante é pensar que quando são atribuidas definições sobre o Demônio, que seria o antônimo ou a antítese de Deus, nunca é usado o antônimo de Amor que seria Ódio. A ele são atribuídas definições como Luxúria, Pecado, Traição e muitas outras, menos ódio. Como se a palavra Amor fosse algo tão ligado á Deus que nem sequer o seu antônimo seria dado ao seu antagonista. A ausência do tal Amor, entretanto não significa que sobre apenas seu antônimo. Não acredito em Deus, mas nem no Demônio. Portanto não acredito no Amor, mas não creio no Ódio. É como Bem e Mal… Definições religiosas adotadas pelos outros sistemas de controle humano. Enfim, apenas métodos de dominação.

Eu não quero telefonemas de perdão, não quero lágrimas falsas, não quero sorrisos marotos, não quero pedidos de clemência, não quero desejos nem beijos, não quero cheiros nem odores, não quero abraços nem apertos de mão. Apenas não quero sentimentos mentirosos e hipócritas. Acaso eu esteja morrendo à mingua, deixe que eu apodreça, não finja um amor que não sente. Esqueça o número do meu telefone, nao procure meu endereço e não chore por mim. Porque eu não choro por ninguém. Secou!

Eu sou um sonho ruim e sei que nunca irá acordar. Não perca a oportunidade! Estou farto de falsidade, de mentira, de traição. EScuto uma música ao longe e sei que existe uma festa, que eu fui chamado. Não fui. Alguém sente falta de mim? Quando eu acabar não irá sobrar pedra sobre pedra, tijolo sobre tijolo. Montanhas de falsidade serão transformadas em poeira. Ao espaço com a poeira cósmica. Não chore, não grite, não responda!

9/16/2007

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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