Crônica – Barata Says Goodbye

Estou saindo agora. É hora. Me espera o armazém. E uma arma. Zen. Tem? Tem arma? Ou alma? Não tem? Então não vem. Que não tem! Na pradaria não tem. Pão. Nem de açúcar. Tem sal. Que mal tem? Não tem nada. Tem pão na padaria? E onde tem poesia? Lugar nenhum! Nenhum lugar. Alguma para alugar? Comprar? Tem! Ah, mas que horas são? Pergunta o ancião. Na cadeira de rodas. Pense nas modas. E nas fodas. Tome todas. E nas bodas e nas botas. Trace rotas. Estou indo aonde não querem. Querem que eu fique. Quieto. Explique! Replique. Aplique. Não digo adeus. Nem digo a Deus. A teus. Aos teus. Ateus. Eu não disse adeus. Mas agora digo. Digo adeus a mim. A eternidade chegou ao fim. Fui até o fim. Da eternidade. Sim, fui um gênio. Daqueles que se esforçam para serem os melhores. Fui dos melhores. Estou certo. Mas ninguém por perto entendeu. Agora eu digo “ciao, baby“. Não fui beber. Nem foder! Fui morrer. Fui! Não espere retorno. Não há. E resta apenas uma partida. Tantas chegadas a nenhum lugar que nem sei mais onde estou. Portanto não sei de onde partir. E para onde ir. Só sei que preciso sair. Daqui. Morto ou vivo! Sobrevivo? Me esquivo das balas. E dos beijos. Na esquina tem uma negra de vestido cor-de-rosa. Sem calcinha nem sutiã. É gostosa. Cheira sujeira. Cruza as pernas e me mostra a buceta. Escura. Abaixa e mostra os peitos. Bicos pretos. Ela quer foder comigo. Decerto. Eu queria querer foder com ela. Mas agora não posso. Tenho que pagar uma conta atrasada. Na padaria. A negra que espere. Qualquer uma que espere. Estou mesmo de partida. Tem saída?  Onde? Ainda tem bonde? Esconde essa navalha, menina! Responde a pergunta do soldado. Fardado. Maltratado. A negra chupa o pau do bebum. Só mais um.  E eu com isso? E qualquer um que a foda. E ela que foda com qualquer um. A buceta é dela. E eu mesmo só queria encostar aquela negra de vestido cor-de-rosa no muro descascado e comer o cu dela. Agora não dá. Estou com dor de dente. E sempre digo adeus. A todas as fodas que aparecem. Megera. A minha espera. Sempre digo:”Olá, princesa!” E fico surdo com o silêncio da resposta. Quer fazer uma aposta? Então encosta a bunda no meu pau! E goza. Sebosa! Ah, mas eu quero parar de dizer adeus. E até mais. Um dia a gente se encontra. Em algum baile à fantasia. Eu de Poeta. E tu de Poesia. E a gente dança. A noite inteira. Até o baile acabar. Então fode encostado no ponto do ônibus. E depois segue. Cada um seu caminho. Sem dizer adeus. Mas agora preciso dizer até nunca. Que a eternidade acabou.

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

DEPOIMENTO

Outro fato que devemos salientar é sua enorme força de vontade e persistência, em nos contemplar com essas obras primas, que assume proporções gigantescas quando temos a consciência de como você faz para levar essas palavras até nós: de forma artesanal. Esse fato torna seu trabalho de um encanto e magia inexplicáveis. Parabéns Luiz Carlos Barata Cichetto pelo seu trabalho e dedicação. Nós, seus admiradores, te fazemos o reconhecimento. Longa Vida ao Nosso Grande Poeta Underground!
Walter Possibom
Guarulhos - SP
5 1 Vote
Article Rating
Assinar
Notificação de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários