Crônica – BBB – Big Brother Barata – 2ª Parte

O que pensar sobre pessoas que trocam de relação igual à de cuecas ou calcinhas? O que esperar de pessoas que jogam o amor no cesto do banheiro como a um papel higiênico sujo de esperma? Esperar uma relação prazerosa, não somente no sentido erótico e sexual, mas uma relação que um tenha prazer em estar com outro, que batalhe, que seja cúmplice? Jamais! A geração egoísta e egocêntrica que nasceu pós-Punk não conhece sentimentos puros, não tem conceito de amizade verdadeira, de companheirismo, de cumplicidade. A infidelidade não é algo que tenham como valor. E quando falo em valor não estou falando em valores religiosos, morais, etc., Ao menos não apenas isso.

Fidelidade não significa alguém ser proprietário ou propriedade de alguém. Há uma dose de egoísmo na fidelidade? Claro. Mas o egoísmo que manter o amor e a verdade. Sem fidelidade não há amor, não há verdade. Tenho conceitos pessoais e por motivações que não importam agora, muito claros e sérios a respeito desse assunto. Fidelidade é essencial e pronto e acabou. E fidelidade não significa exatamente transa, sexo, com pessoas peladas, corpos suando, esperma e etc. Uma pessoa que encontra um ex-amante e flerta, ou liga e faz sexo por telefone com o ex-marido, que liga ou recebe ligações de ex-parceiros ou parceiras e conversa sobre assuntos fúteis, tentando demonstrar que não há nada, mas que no fundo se sente feliz apenas para ouvir a voz do outro lado. Isso não é traição? Uma pessoa que faz o chamado “Sexo Virtual” não é traição?  Uma pessoa que transa com o companheiro ou companheiro apenas para satisfazer um desejo sexual, mas não está nenhum pouco envolvida, não é traição?

O ser humano não é polígamo, apenas algumas culturas exacerbam nos dogmas e criam raças de seres humanos que traem seu próprio conceito de fidelidade. Antigamente os homens, especialmente os casados, procuravam sexo fora do casamento apenas por questões de serem mais bem aceitos em seu meio social. Traiam, mas para contar aos outros do que por realmente desejo. Hoje, as mulheres estão também agindo dessa forma, mas estou certo de que não sabem nem bem exatamente porque. É claro que existem pessoas com a libido mais forte e mais aguçada que as outras. Essas pessoas têm três caminhos: ou não se envolvem seriamente com ninguém, ou se envolvem seriamente apenas com quem tem uma libido parecida a sua, ou simplesmente, se um sentimento maior a prende a outra que não tem, aprenda a controlar, sem paranóias e neuroses. Não é tão difícil assim. Já fiz isso e não me arrependo. Agora, em se tratando de pessoas que pensam em sexo o tempo todo e não se importam com o que e quem vão usar pra isso, ai já é outro problema e ai recomendo um amigo meu psiquiatra.

Um dia conheci uma mulher que usava como jogo de sedução a “verdade”. Quando queria conquistar e prender um homem, dizia que tinha tido um caso homossexual, que era real, mas que fora apenas uma fraqueza. Quando queria se livrar dessa conquista, pois ela já não lhe interessava, fazia o jogo inverso: dizia que realmente era homossexual. E repetia isso com todos. E fazia também com as mulheres com quem havia realmente tido casos. Como dizia um antigo comercial da Folha de São Paulo: você pode mentir o tempo todo dizendo apenas a verdade. E o que é a verdade em termos de erotismo e sexo? Nem Freud nem Jung chegaram a uma conclusão precisa. Freud exacerbou de um lado, Jung de outro.  Dizer a verdade num relacionamento nem sempre é a melhor coisa, por isso que coloco que o essencial não é a “verdade”, sim a fidelidade. Se houver uma fidelidade sincera, fatalmente a verdade será Verdade.

1/26/2006

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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