Crônica – Bozo, Um Outsider na Presidência

Dias atrás, numa conversa com um amigo, “conservador”, e que tem idéias próximas às minhas comentei o seguinte (aspas a mim mesmo): “Bolsonaro é um ‘outsider’, e por isso tenho admiração por ele”. Pense no sentido exato do termo, que se torna espantoso quando nos referimos a um Presidente da República, mas é a realidade, pois ele significa alguém que está contra o “establishment”. Bolsonaro representa isso, conforme definição ortodoxa: “Outsider: aquele que não se enquadra na sociedade,que vive à margem das convenções sociais e determina seu próprio estilo de vida, através de suas crenças e valores. Alheio, rebelde, marginal, contra separado, reação”.

Nadando contra uma corrente de valores ideológicos “à esquerda”, que nos pelo menos últimos quarenta anos se estabeleceu em todos os setores da máquina do Estado, na Mídia e na Educação e estendeu suas garras aos mais recônditos meandros da família, Jair Bolsonaro foi eleito com uma maioria quase esmagadora, que só foi “quase” e não total, porque a manipulação das urnas, que pelo seu próprio sistema inauditável jamais poderão ser comprovadas.

Dentro da tradição do que é ser um “outsider”, Jair foi eleito sem quase dinheiro algum, sem apoio da grande mídia e sem qualquer aporte da maquina pública. Depois, tomou atitudes como não pagar uma fortuna para alguma empresa que tenha ajudado financeiramente sua campanha, para criar a marca gráfica de seu governo. As atitudes fora da caixinha (e fora das caixinhas) continuaram e só não puderam beneficiar mais gente por terem sido barradas no Supremo e nas casas legisladoras, feridos em seus anseios.

Outro exemplo, que pouca gente ou ninguém vi comentar nas redes, é que fosse o Auxílio Emergencial criado por alguém dos governos anteriores, seria criado um Ministério, com custos mais altos que o próprio benefício, sendo que os eventuais beneficiados teriam que ir até órgãos especialmente criados e pagos pelo contribuinte, mas totalmente aparelhados, onde seriam exigidos inúmeros protocolos e infinitos formulários, mas que seriam apenas aprovados após o pagamento de propinas e filiação ao Partido. Sempre funcionou assim isso. “Bozo” resolveu isso com um aplicativo, com custo ínfimo pela Caixa Econômica Federal, e ninguém foi obrigado a dar atestado ideológico para nem pagar propina. Um horror aos burocratas pseudo humanitários, que lacraram e lucraram muito nessa “plandemia”.

Aliás, na “plandemia”, o Presidente sempre deixou claro que existem intenções nefastas, e que o que é um vírus, tão perigoso quanto outros milhares, precisa ser combatido com políticas claras que não prejudiquem mais ainda população mais ainda. Ao criticar lockdowns inconsequentes e afirmar que as pessoas precisam cuidar da prevenção, ele foi chamado de “genocida”, entre outras coisas, sendo que os verdadeiros estavam lacrando portas de pequenos comércios e impedindo as pessoas de trabalharem,  usando o terror como arma, e ocasionando muito mais mortes, por suicídio, falta de atendimento médico para outros problemas de saúde, e inúmeras outras mortes causadas por depressão, falta de movimentação e de esperanças.

Governadores e prefeitos dando ordem para proibir praias, praças e, usando a polícia para que cumprissem suas ordens sem nenhum valor cientifico,  apenas como moeda política. A população aterrorizada obedeceu, e muitos se voltaram contra o Presidente, afinal, o medo cega e transforma a todos em covardes. Heróis foram os que não se submeteram, mesmo sendo calados pela mídia comprometida e bem paga, sabe-se lá por quem. Governadores decretando toque de recolher, claramente inconstitucional, sob as barbas do Supremo, que tão aparelhado quanto as demais instituições, trabalha freneticamente para a derrubada do Presidente eleito, retirando-lhe s prerrogativas e exigindo que ele cumpra deveres que eles próprios retiraram.

Talvez por sua natureza de “outsider”, que acaba sendo sempre quase uma figura romântica, o Presidente não percebeu – ou percebeu e subestimou – , é que a máquina marxista-leninista-trotsista e sei lá mais o que ista, estava tão enraizada, que nada do que ele fizesse poderia por fim, ao menos em tão pouco tempo, ao aparelhamento do Estado e da Educação, principais pilares da Sociedade Democrática.

O que o “outsider” Jair, que é Messias mas não é deus, muito menos onipotente e onipresente talvez tenha deixado de prestar atenção, é que de nada adianta ter escolhido os melhores para seu Ministério, quando o moleque que tira xerox no Ministério da Economia usa bandana com foice e martelo, e pode entregar a cópia errada no lugar errado e para a pessoa errada, e daí a cópia que nem era cópia, mas o original ir parar na mesa do Editor da IstonãoÉ. Ou então a moça do café, que não depila a bunda e que nas horas de folga serve café, Boulos e balas na sede do Partido Cumunista dos Trabalhadores Sem Teto, pode colocar laxante no seu café. E daí seria uma cagada atrás da outra.

O fato é que, como comentei com meu amigo, às portas de uma bela livraria, é que mesmo escapando de um “górpi” (E golpe só é golpe quando é contra “eles”, senão tem outro nome), baseado em narrativas que são apenas isso, narrativas, Jair Messias Bolsonaro jamais conseguirá se reeleger, mesmo que tenha 99,9 por cento dos votos.  Dirão que o número de votos necessários será de 123 por cento, e que mortos também tem direito a voto, afinal são gente; que os votos a favor dele são apenas uma ressignificação, ou seja uma deturpação, dos votos contrários, e que aquele que votou no “Bozo”, queriam mesmo era votar no Carniça (Não esqueci as aspas aqui, não). Ademais, a exemplo do que aconteceu nos EUA, farão de tudo para votar o impeachment e caçar seus direitos políticos por 99 anos, até o último dia de sua permanência na presidência.

2022 parece tão distante quando 2020 não acabou ainda, para quem sofre os desmandos de ditadores autênticos de calças apertadas enfiadas no cu, que acreditam que já era no ano passado, e que sempre será dia de eleição enquanto ele não for eleito, mesmo a custa de mortos, e pessoas que foram enterradas vivas e declaradas como portadores de gripe chinesa. Desculpem a retórica quase poética, mas ainda acredito que a coisa que tiranos mais temem seja a poesia. Não a poesia das palavras doces, mas a poesia que encerra verdades que é a palavra que mais têm medo. Ninguém tem medo de um poeta, a não ser que ele porte uma metralhadora. E Bolsonaro não é um poeta, mas tem a metralhadora.

Não, Jair Bolsonaro não é o Presidente dos sonhos, comete erros, cuja gravidade é maior ou menor por pontos de vista que em nada são lógicos e desinteressados, mas é, o melhor que temos. Literalmente. A maior faceta dele foi justamente mostrar à uma imensa maioria de brasileiros que, sim, existiam e existem alternativas à hegemonia do poder e das disputas eleitorais que há quase trinta anos ficavam restritas a dois partidos, sem que nenhum representasse exatamente oposição. O PSDB era uma espécie de MDB da época do Regime Militar: uma “oposição consentida” ao sistema e ao projeto político futuro do petismo. Então, seu grande papel foi esse, de mostrar que essas pessoas, no qual eu mesmo me incluo, tem voz e vez. Pena que a Democracia no Brasil, mas não somente aqui, sofre de falta de oxigênio, e está entubada, num hospital onde quem decide quem vive ou morre são meros ditadores, que pouco entendem de medicina, muito menos de humanidade. Querem apenas comandar o hospital, mesmo que tenham que matar a todos os pacientes asfixiados.

Aos que quiserem, podem comemorar 2020 como o ano da morte da Liberdade, que se já não respirava tão bem nos últimos anos, foi obrigada a usar máscara e acabou morrendo por falta de oxigênio, como as pessoas de Manaós, Caiapós e dos mais recônditos cafundós deste planeta. Poderosos lhes roubaram o ar. Em 2021 será seu enterro, e depois, o que sobrar será apenas seu cadáver fétido. È bom mesmo que usemos máscaras para daqui a um futuro distante, já que ninguém vai aguentar o fedor da Liberdade defunta.

Quando um partido de “esquerda raiz”, o PCO, afirma que “Ao contrário da esquerda pequeno-burguesa, movida a emoções e sem qualquer entendimento racional da realidade, não achamos que Trump tenha sido o pior presidente da história dos EUA. Isso porque, como marxistas, enxergamos através do ponto de vista da classe operária, dos explorados e oprimidos do mundo todo.” e em outro momento faz a melhor defesa em prol da liberdade de expressão (“Com certeza essa censura e perseguição se voltará contra a esquerda e esse é o primeiro passo para um maior controle ditatorial dos movimentos de esquerda.”), e dias depois movimentos de “direita” como o MBL vão às ruas pedindo o impeachment de Bolsonaro, me dizem que é hora de as pessoas repassarem seus conceitos de “direita” e “esquerda”, que tem servido apenas para alimentar uma guerra desumana, uma divisão que interessa apenas aos que estão a dominar o mundo, usando de todas as formas de terror grotescas, como a “plandemia”.

Acreditam mesmo que o Carniça, o Ditadória e outros sejam “comunistas”? Que gente como Mamãe Caguei e outros sejam a “direita”?  Acreditam mesmo que Muleque Zuckinho e Jeff Beijos sejam de “esquerda”? Aliás, acreditam mesmo que no caso de impeachment, que agora está trajado de Csigênio de Manaos deixarão o Gal. Morão (Moro grande?) tomar posse? Creditam mermo nissu? Mermo mesmo?

Olha, queridos amigos e amigas, é melhor pegarem uns livros ai, umas leituras a toa e começarem a desenterrar seus cérebros, e pararem de usar máscaras com desenho do “Bozo” ou do “Chegaevara” antes de seus cérebros, por falta de oxigênio entrarem e colapso e lhes causarem demência, e começarem a pensar. Ainda não dói isso!

Saúdem a mandioca, façam cálculos excêntricos e cheguem a única conclusão possível. Tem gente morrendo asfixiada… no próprio medo! Mas tem gente tentando respirar por debaixo de máscaras. Morra asfixiado se quiser, mas não me impeça de respirar.

24/01/2021

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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