Crônica – Desabafo

Quarenta anos ao menos é o tempo que separa o agora, quando acredito que a poesia está morta, do momento em que sorridente mostrei a uma amada platônica meu primeiro poema. De lá para cá, foram milhares, boa parte jogada no lixo de papel ou na lixeira do computador. Não nasci Poeta na Internet. Ela, a Internet e todas essas merdas de redes sociais são uma mentira, uma fraude. Queria mesmo é que, como num filme de ficção cientifica, todas as redes de computadores explodissem e desaparecessem para sempre. Ah, é legal para encontrar amigos que não vemos que não encontramos há trinta anos? Se tivemos um amigo que já não vemos há tanto tempo é porque não éramos tão amigos e, portanto ele deve ficar lá, esquecido. Garanto que me acostumaria com a inexistência da Internet em menos de uma semana. Quem sabe, então, as pessoas possam se dedicar mais às conversas, à leitura… Quem sabe as pessoas possam viver mais e melhor, sem serem atropeladas pelo tempo que acham que passou rápido demais, mas que foi desperdiçando na frente de um computador, à volta de bobagens que não tem a menor importância. Há quarenta anos, quase, publiquei meu primeiro poema num “jornalzinho” mimeografado, depois outro e outro… Até um livro inteiro assim. De mão em mão, de boca em boca, era assim que existia a poesia. E agora? O que temos? Avatares, perfis, mensagens… Tudo parecendo mensagens numa garrafa que nunca serão encontradas num mar revolto que quer aparentar serenidade… Ah, estou cansado!

26/03/2013

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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