Crônica – Desordem e Universo

A bandeira, Ordem e Progresso… A minha bandeira não é essa, minha bandeira é o Universo. Do verso. Em minha bandeira, grafado em letras enormes está inscrito: Desordem e Universo. Universo em desordem. A desordem no Universo causa o verso. Poesia é desordem. Reverso. Empunho minha bandeira, carrego nas cores da minha bandeira. Vermelho, preto, amarelo, minha bandeira também tem outras. São tantas que não cabem dentro de um pedaço de pano, preso por um mastro e hasteado em dias de festa nas portas das escolas e repartições públicas. Minha bandeira não tem mastro. É o mastro. Mastro, caneta, falo erguido. Maestros empedernidos regendo com as mãos um hino em homenagem ao Universo. Desordem. Reverso. Universo. Bandeiras não representam países, representam espelhos. E a minha bandeira é o espelho da minha alma. Verso, reverso, universo. Desordem. Acordem carregadores de bandeira. Anarquia, poesia e um pouco de sal e água. O soldado desfralda a bandeira, o poeta desfolha a poesia. Mas poesia não é bandeira. E no universo do teu corpo há mais poesia que em qualquer bandeira. Não há poesia em bandeiras. Há bandeiras demais na poesia e eu não acredito em bandeiras. Aliás, nem em poesia eu acredito. Acredita? Não, não acredite! O dia amanhece no quartel enquanto o soldado de farda verde oliva caminha em direção ao nascer do Sol. É a mesma dança há mais de cem anos. Cem anos de solidão e… Só lhe dão bandeiras e exigem a Ordem e o Progresso. Regresso ao que era antes da bandeira. Antes da bandeira o desejo e antes do Progresso vem a Ordem… E onde é que eu me encaixo? Embaixo? A alegria é a prova do que? Noves fora, nada. A prova de matemática. Minha terra tem palmeiras e flamengo, e futebol é uma merda, bandeira de tolos. E então levanto uma bandeira, em posição de sentido, mão no peito que estou sentido. Dói o coração e foda-se a bandeira. Foda-se a ordem e foda-se o progresso. E não escuto as estrelas coladas com cola de sapateiro na bandeira nacional. Odeio Carnaval, Futebol, Mangueira, Samba e Morro. Odeio bandeiras! Fodam-se as bandeiras. Na Desordem do Universo. Desordem e Universo.

19/11/2012

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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