Crônica – Enfim, Tudo Acaba no Fim

Acordei de manhã e fui preparar o café… O pó de café tinha acabado. Procurei pelo açúcar, pela água na torneira, tinha também tudo acabado. Procurei pelo dinheiro nos bolsos, mas neles só encontrei buracos. Minha mulher queria seu leite, as gatas queriam comida e eu, eu apenas queria morrer. Procurei o gás da cozinha e lembrei-me de Torquato Neto. Torquato tinha acabado aos vinte e oito anos de idade e o gás, o gás também tinha acabado! Queria uma faca ou uma corda. Acorda, que corda eu não tinha e a faca que eu tinha não cortava nem pão. Ah, o pão também tinha acabado. As gatas miando, minha mulher chorando e eu… Bem, eu mesmo tinha acabado há bastante tempo. Nem era por ter acabado o pão, o leite, a ração das gatas, o pó de café ou a água da torneira. Tinha acabado porque no fim, tudo sempre acaba. Queria fumar, queria um cigarro, mas é claro que também tinha acabado. Era o fim! Sentei e procurei a inspiração para escrever um poema e relatar meu fim. Também tinha acabado!

18/01/2013

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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