Crônica – Esperando Papai Noel

Ao contrário da idéia que muita gente tem a meu respeito – a Internet propicia que a imaginação das pessoas crie asas longas -, A Barata, no quesito financeiro significa: despesas. Despesas que nem sempre tenho como bancar.

Quando criei A Barata, em Abril de 1998, a situação da Internet, e a minha, eram totalmente diferentes. Criei inicialmente um projeto simples com a intenção de apenas publicar minhas artes – poesias, contos, crônicas etc., A hospedagem era em uma empresa americana de hospedagem gratuita de sites. Não existiam ainda blogs, Orkut e ter um site era uma tarefa inglória e penosa.

Com o passar dos anos, a situação foi melhorando em alguns aspectos e piorando em outros. A Barata foi crescendo e as mudanças na Internet, com o surgimento de empresas de hospedagem brasileiras, mas com sérias limitações, fez com que eu fosse praticamente obrigado a criar um domínio próprio e uma obrigatória conta de hospedagem, o que representou necessariamente custo. Um custo que foi crescendo em função do crescimento do numero de páginas e acessos.

Crescia também o número de autores publicados, mas fazendo que crescesse mais ainda meu trabalho. Desde o começo, sempre fiz tudo sozinho, não porque desejasse, mas porque simplesmente não aconteceram, digamos, ofertas de trabalho voluntário. Então, com exceção do apoio em alguns momentos de João Kraciunas na programação do banco de dados, nenhuma ajuda.

No começo, uma conexão discada e um bloco de notas eram suficientes para atualizar o site, mas com o crescimento das necessidades começaram a ser necessárias além das ferramentas de criação, banda larga, telefones etc. Custos, custos, custos… Além disso, das poucas horas dedicadas à atualização, passaram a ser usadas mais e mais horas, até chegar à situação atual que, se quiser um site atualizado, tenho que me dedicar a ele em período integral.

Ai chego à afirmação do primeiro parágrafo: muita gente acredita que A Barata gera a mim prestígio, sexo e uma boa quantidade de grana. O prestígio é relativo, mas as duas últimas coisas são folclore alimentado por cabeças ocas, que também serve para se eximir de qualquer “responsabilidade”. Um pensamento cômodo que causa o seguinte efeito: “Ah, o Barata tem grana, come todo mundo, então não precisa de ajuda, não! Ademais tem dois anunciantes, o Sempre Vinil e o Marcio Baraldi.”

Sim, tenho esses dois amigos que sempre tem uma participação comercial, mas que, muito longe do necessário, apenas ameniza, mas não resolve a questão básica das básicas: pagamento da conta de hospedagem e da banda larga, matérias primas essenciais. Só ai o custo chega a quase R$ 200,00 ao mês.

Como eu disse no começo, a situação da Internet e a minha eram diferentes no inicio de A Barata. Sim, naquela época eu tinha um emprego formal e as despesas de A Barata eram mínimas. Atualmente, como a mais de cinco anos não consegui mais empregos formais e passei a arrancar leite de pedra para conseguir pagar as despesas. Isso acabou por gerar situações muito incomodas até mesmo no nível familiar. Quem leu “O Feijão e o Sonho” entende melhor o que estou falando. E quem leu “A Metamorfose”, mais ainda.

Tenho observado muitos blogs de “download” de MP3 solicitarem e ser atendidos em pedidos de doação, o mesmo acontecendo com a horrenda Wikipedia. O interessante ai é o fato de que as pessoas se sentem tocadas a colaborar com pessoas que lhes oferecem downloads de músicas, mas não se sentem tocadas a colaborar com um site, no caso A Barata, que lhes oferece download de cultura em forma de literatura. Qual é a diferença? Ah, baixar um CD do Led Zeppelin… Led é Led né?, É uma coisa, mas ler as poesias e textos do Barata é outra… É, pode ser, mas então porque tanta gente copia e cola as poesias e textos do Barata em centenas de blogs? E nem essas pessoas se dignam a fazer qualquer colaboração… Quanto a Wiki, é uma estória deveras estranha…

Inúmeras vezes pensei em desistir, jogar a toalha… Mas seria o mesmo que abandonar um filho, jogar na sarjeta, matar. Durante onze anos, algumas pessoas colaboraram com alguma ajuda financeira, mesmo assim, esporádicas. Sempre fui honesto em minhas opiniões criticas e em meus poemas, crônicas etc. E principalmente em minhas atitudes “offline”. Sempre fiz questão da independência e principalmente não transformar um site numa árvore de Natal de ofertas, links para lojas, essas coisas.

12/6/2009

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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