Crônica – Inteligência Artificial

Ao pensar neste texto, corri ao dicionário em busca da definição de inteligência, pois pretendia inicia-lo daquela forma acadêmica de citá-la no início, mas desisti, pois a definição ali apresentada pareceu-se no pouco digamos, inteligente.

O que é afinal a inteligência? De que forma medi-la inteligentemente? Há milênios, filósofos, escritores, pensadores gastam pilhas e pilhas de papel e horas de sono usando sua inteligência com o intuito de descrevê-la: dom inato, esforço, estudo. Algumas correntes de pensamento parecem querer carregar nestas tintas. Crenças religiosas falam sobre dádiva divina, mediunidade etc… Mas a inteligência ainda parece desafiar computadores e sábios. Que atitudes podem ser analisados como prova de inteligência ? A maior parte delas é realmente uma questão de ponto de vista sócio-cultural: um analfabeto considera inteligente a pessoa que conhece as letras, que considera inteligente a que conhece línguas, e assim por diante.

Inteligência é sinônimo de dedicação, esforço, disposição de aprender etc.? É pouco inteligente que seja apenas isso! Quantas vezes escutamos conceitos e pré-conceitos sobre a “Inteligência” ou a “Burrice”de outra pessoa ou sobre nós mesmos. Muitas vezes a mesma pessoa foi alvo dos dois conceitos em momentos infinitamente próximos. Por que? Porque determinada atitude encontrou ou não eco na “Inteligência” de quem omitiu o conceito.

Quantos comentários sobre sua inteligência ou falta dela você escutou durante sua vida? Afinal, você é ou não inteligente? E eu, você acha que por estar escrevendo sobre inteligência, sou inteligente?

Atualmente é comum associação entre sucesso financeiro e inteligência, e  isto é causado por uma medida intrinsecamente ligada a uma sociedade extremamente consumista que vivemos. Seria o bem sucedido realmente o inteligente, ou aquele que consegue sobreviver com menos posses e não se escraviza com o dinheiro e o poder?

Inteligência artificial, natural, animal, atitudes inteligentes de acordo com o conceito de ordem sócio-cultural preestabelecido. O medo é uma atitude inteligente?

A inteligência comumente associada a livros e outros ícones culturais (inteligência é cultura, cultura é inteligência? ) já foi associada a cigarros e outros símbolos de pouca inteligência.

Bom, acredito que o leitor esteja esperando que eu conclua este texto com definições muito inteligentes, bem humoradas ou filosóficas e corretas sobre “inteligência”, mas deixo isto a você mesmo, use sua inteligência para definir inteligência.

 

TESTE

Olhe no espelho e faça a si mesmo duas perguntas e proponha-se a respondê-las com sinceridade:

– Sou inteligente?

– Por que?

Anote as respostas e guarde. Dentro de um ano faça a mesma pergunta, anote e compare com as do ano interior. Se você for realmente inteligente suas respostas devem ser diferentes.

4/24/2000

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

5 1 Vote
Article Rating
Assinar
Notificação de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários