Crônica – Luto 2021

Eu não estou de luto, por nenhum amigo, nem inimigo, apenas luto contra aquilo que me deixa puto. Insensível? Entenda assim e nunca nos entenderemos. Sinto falta, saudades, dor pela perda, quando um amigo parte, a alguma parte, que pode ser o além ou o aquém. Além disso, nada mais, luto é nascer. Morrer é festa. Libertação. Tento falar, mas ninguém escuta, estão todos mortos e mortos são surdos. Quero deixar um escrito para ser impresso na minha lápide, daquelas ao rês do chão, e que pode até ser de papelão. Uma frase curta: Fui Por Ter Sido e Fui Por Ter Ido. E deixar um dinheiro embaixo do colchão, que os convidados do meu velório possam comprar vinho, cerveja e tomarem em cima do meu caixão. Tento escrever, mas não consigo. Há tantos ouvidos surdos que não valem nem o som do matraquear do meu teclado. Leio o que já escrevi. Há coisas boas, e há porcarias. Tenho senso crítico: a maioria são boas, mas nunca caí nas graças de nenhum editor. Agora é tarde! Queria que lessem, mas ontem rasguei tudo. Apaguei os arquivos do computador, e não há mais o que ser feito. Alguém lamenta? Não, não se lamente, e não queira ser melhor que eu. Há um escritor em cada portão e um leitor por quarteirão. Desigual equação. O cansaço bateu, e nem são apenas as pernas e braços. Os olhos, o coração e a mente também. (BC)

27/06/2021

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

DEPOIMENTO

Leiam os livros para entender essa paixão que tenho pelo escritor Barata Cichetto, Ele escreve de uma maneira como se estivesse batendo um papo com o leitor,com ele é sem frescura e mimimi doa a quem doer, Não recomendo para quem está acostumado(a) a ler livros onde tudo é maravilhoso,fantasias artificiais,cheios de pudores,Barata vai muito mais a fundo te leva a loucura em todos os sentidos. - Facebook - 10/09/2017
Juliana Stinghen
Santos - SP
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