Crônica – Não Escrevo Mais Poesia: Tenho Vergonha

O meu primeiro livro, lançado em 1981, portanto há quarenta anos, foi todo feito em mimeógrafo a álcool, único recurso à mão para escritores independentes na época. Guardei dinheiro e comprei papel e estêncil. A “máquina” foi emprestada por um casal de amigos. 50 exemplares despachados por Correio, e na época não tinha “Registro Módico”

O segundo e o terceiro, depois de uma estiagem por casamento e nascimento de dois filhos foi apenas vinte anos depois, em 2001, desta feita já com a alta tecnologia da fotocópia, a popular Xerox. 50 cópias de cada, também distribuídas por Correio e nas portas de teatros e casas de Rock, como Led Slay.

Outro hiato por mais dois casamentos e divórcios, não na escrita mas na publicação, e em 2011 criei uma editora artesanal, por onde lancei às próprias custas outros 20, além de duas antologias, a última em 2018, em comemoração aos meus 60 anos de idade. O total, 25 livros  feitos exclusivamente às minhas expensas, sem nunca ter pedido uma moeda a ninguém, e muito menos dinheiro público. Abri mão de muitas coisas, de muitos “luxos”, e deixei de fazer coisas que muitos lhes consideram essenciais.

Não tenho números exatos desses lançamentos literários, mas estou certo de que eles nunca renderam lucros. Na melhor das hipóteses se pagaram. Em 2018 com a chegada das “startups”, dos sistemas de auto-publicação, extingui definitivamente a Editor’A Barata Artesanal e primeiramente publiquei pela Amazon, que até hoje nunca me pagou um real de royalties.

Dito tudo isso, e com mais uma publicação encalhada, o Filosofia de Pés Sujos, que mandei imprimir numa gráfica, e observando o numero de editoras vendendo títulos e autores clássicos por valores muito baixos, chego a conclusão que tem dinheiro público na jogada. Mas, até aí, é provável que exista alguma facilidade legal para tanto, que desconheço.

Quando Jair Bolsonaro assumiu e começou a derrocada dos artistas ideológicos de esquerda, que sempre foram privilegiados em troca de apoio à sua causa, com as regras que brecaram esse tipo de aberração, a chiadeira foi geral. Artistas de qualidade duvidosa e que tinham projetos culturais muito mais duvidosos (como certo ex ministro que bancou com dinheiro de leis de incentivo a cultura a festa de casamento da filha), começaram o apedrejamento público. Pessoas que nunca tiraram um real dos bolsos, aliás bem cheios, queriam continuar mamando e enchendo o mundo com obras “artísticas”, que de arte tinham pouco, mas de conteúdo ideológico muito.

Em 2020, com o advento da fraudemia, que morro berrando que é a maior fraude da história da humanidade, o Governo Federal lançou uma lei, “Aldir Blanc”, para ajudar artistas em dificuldades por causa do vírus chinês. (Por causa dele não, mas por conta de atitudes ditatoriais de governadores e prefeitos que resolveram cientificamente espantar o vírus prendendo as pessoas em casa e fechando o comércio).

E o que fizeram muitos artistas, muitos daqueles mesmos acostumados a ser bancados pelo dinheiro público? Correram e foram buscar sua cota. (Ah, claro, eles adoram cotas) e começaram a fazer lives de poesia, música e teatro. E mesmo, assim, bancados por dinheiro cedido por um Governo que eles odeiam, continuaram a destilar seu “ódio do bem”, sua “cultura de cancelamento” nessas lives e livros impressos, ostentando os logotipos e slogans do Governo Federal e chamando o Presidente de “genocida”, “fascista” e outros termos menos criativos em seus versos e letras de músicas.

É claro, a livre expressão, que, aliás, eles advogam somente a  eles, e seu ódio a tudo que está na contramão de seu pensamento, podem ser ditas e cantadas. Podem, mas às suas custas, não com o dinheiro do contribuinte, a maioria que já demonstrou que não aguenta mais a tiraria dessa esquerda ditadora.

Passamos décadas financiando, com a tal Lei Rounet, as farras de “artistas” enaltecendo o comunismo, embotando as mentes de jovens e crianças com discursos mentirosos e criminosos, enaltecendo o uso de drogas, ideologia de gênero e toda a agenda marxista. Todos pagamos por isso, e nos calamos.

Agora, esses mesmos continuam fazendo a mesma coisa, o que demonstra que a questão não é diferença de opinião, conforme afirmou um ex-amigo, ex poeta (péssimo por sinal) e atual político petista, quando eu o acusei de hipocrisia por ler poemas numa live chamando Bolsonaro de genocida com o logotipo do Governo. A questão, respondi-lhe é diferença de caráter. Chamar isso de hipocrisia é pouco.

Há poucos dias, esse meu ex-amigo, esbravejava nas redes contra o que ele chamava de “monstros” e “sociopatas”, as pessoas que se recusam a usar a focinheira ideológica e, claro, culpava Bolsonaro pelas mortes do vírus chinês, e enalteciam os prefeitos (alguns deles que fazem parte de seu rol de amizades) que são os verdadeiros culpados por essas mortes, e especialmente de outras em numero bem maior, com seus decretos tirânicos e sem qualquer base, se não no cientifismo de cunho político.

Esses são os artistas, que nunca prezam pela arte, mas sim pelo poder que ela lhes proporciona, e pela vaidade que lhe inflama o ego e lhes faz arriar as calças à desumanidade que representam essas ideologias que pretendem mudar o ser humano, transformá-lo numa pasta disforme.

Ah, sim, meu ex-amigo ex-poeta está por aí, vendendo seu livro com a estampa do Governo Federal na contracapa, da mesma forma como sempre o fez.

Eu não escrevo mais livros. Nem faço mais poesia. Tenho vergonha da classe!

23/02/2021

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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