Crônica – Não Gosto de Poesia Com Menos de Meio Século

Confesso: não gosto de ler poesia escrita há menos de meio século. Em outros termos, nada daquilo que foi escrito depois que eu nasci. A poesia é cara, tem que ser assim, ela cobra o preço. Poetas tinham que ser lidos apenas depois da morte. Sem lucros, sem dividendos, sem livros. Apenas póstumos. E sem recompensas, sem heranças e sem contrapartidas. A poesia é assim, tem um preço a ser pago. E o fato de eu não ler nada escrito depois que eu nasci não é nada pessoal contra mim mesmo, mas uma vingança, esta sim pessoal – como se existisse outro tipo de vingança que não a pessoal -, contra todos esse moleques que feito eu também fui, que insistem em deixar de ganhar dinheiro e escrever um monte de merda que chamam de “Minha Poesia”. Ademais existem de fato muito poucos bons poetas vivos, ainda hoje. Eu não sou bom, talvez seja bom uns cinquenta anos depois de morrer. E aí, sim, merecerei ser lido.

26/04/2013

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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