Crônica – O Escafandro e o Leão

A coragem do leão, do mergulhador… E a do poeta… A Poesia é a coragem… de ser… Um leão… Ou um mergulhador em águas profundas e estranhas. Ou nas entranhas da sua bunda!

Ora, Bilac, eu prefiro escutar o rugido do leão ou o silêncio das águas profundas… As estrelas, feito as rosas de Cartola, não falam… Simplesmente exalam o perfume que roubam da Lua…. Sou mergulhador, não sou astronauta.

Sou Poeta Leão Mergulhador! Sou da Lua, não do Sol. Estrelas são surdas, estrelas são mudas! A coragem herdei do medo… E o medo, que não é segredo a ninguém, foi herdado de alguém. Sou profundo quanto à escuridão e escuro quanto o medo.

Escutar estrelas, gemidos de astros mortos em galáxias desconhecidas… Pouco quero saber do infinito, quero o que acaba, quero o que termina. O fim. Sempre o fim, nunca o começo. O começo carrega o medo e o fim… O fim é o fim. E aquele que tem medo do fim, não pode nem começar. Quero a escuridão. E o frio do lado escuro da Lua, do mar da Tranqüilidade, do fundo do mar…

“Útero materno!” dirão os especialistas em alma humana. Não quero a alma, quero o corpo! Não existe nenhuma alma e nenhum espírito. Células, neurônios… Eletricidade, energia pura. E direis contigo: que tresloucado amigo é esse que prefere a solidão das profundezas e o rugido do leão às estrelas e ao Sol. E eu lhe direi, no entanto, que apesar do seu espanto, ainda prefiro o escafandro e o leão, pois minha coragem é a da escuridão e do leão.

E solto agora, das profundezas de mim, um rugido que poderá ser escutado até pelas estrelas nas profundezas do infinito. E ora, direi eu, falem comigo estrelas surdas! Falem comigo estrelas mudas!

De repente, mergulho profundo em busca de estrelas… Do mar… Sereias?  Estrelas moram longe e eu nunca morei além do Sol. Nem além do Mar…

15/08/2012

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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