Crônica – O Rei Está Morto, Então Viva o Rei!

Acabei de concluir outro capítulo da minha história! E começando outro, que ainda não sei de que forma estará sendo escrito.  Termino livros sem muitas vezes compreender seu sentido. Serei um mau leitor dos livros da vida de outras pessoas? Talvez!  Porque nem sempre – aliás, na maioria das vezes não é -, o livro da vida das pessoas é de poesia. Sempre imagino ser… A vida em poesia seria bem mais simples. Sou sempre atropelado por poesia. Mais um capítulo, mais uma infrutífera busca… Mas, mais uma busca. Não existe culpa de ninguém, talvez nem minha. Circunstâncias sempre atropelam meus planos, erros cometidos, lugares, hábitos e habitantes. Histórias de vida diferentes dificilmente constroem juntos uma história de vida igual… Ao menos não em conjunto. Como disse Lennon: “A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos.” É, é mesmo isso. Passei os últimos tempos sonhando e fazendo planos, procurando executar esses sonhos e planos, mas a vida que aconteceu durante esse tempo os transformou em pó.

Sim, preciso de companhia, preciso alguém com quem dividir planos e sonhos, preciso alguém com quem compartilhar esperanças e dores… Tenho agora o bem dito do computador onde passo horas e horas escrevendo e lendo, procurando nas URLs esperanças e sonhos…  Estou em busca de uma reconstrução que tem que obrigatoriamente passar por dentro de mim mesmo. Ninguém é salvador de ninguém, não existem heróis de verdade. A imperfeição e o egoísmo humanos nos carregaram a um estado de coisas que sabemos aonde irá nos carregar: ao fim, á extinção. A um caos humano que nenhum escritor de ficção científica conseguiu imaginar. A perversão, no sentido de perverso e de pervertido, nos encaminharão a um mundo em que as pessoas simplesmente não terão mais sentimentos, em que o sexo será usado como arma, instrumento de poder e satisfação verdadeira de “necessidades fisiológicas”. A primeira vez que escutei esta definição para sexo, confesso que fiquei chocado, pois “necessidade fisiológica” é retirar de dentro de nosso corpo algo que não presta mais (merda e urina). E sexo não poderia ser isso. Depois acabei entendendo e, pior, concordando. O sexo agora é tratado assim pelas pessoas: retirar de dentro de si algo que não presta: a libido. Estranho isso? Pare para pensar, analise sua própria rotina sexual e sua própria libido e chegue à mesma conclusão.

Afinal, e enfim, o que poderemos esperar de uma sociedade psicopática? Uma sociedade em que as pessoas parecem estarem nascendo com a “deformidade” que define os psicopatas, a ausência da área cerebral onde existem os sentimentos? Esperar que gostem de coisas como belos quadros, poesia e demais formas de Arte? Não! As artes são utilizadas como instrumento de dor, de conquista, de prazer monetário. Arte, em meu entender, só existe se for feita com puro sentimento. Mas parece que eu, como um dinossauro nascido no final dos anos 1950 e criado sob a égide da geração que acreditou poder revolucionar o mundo através de duas coisas “Paz” e “Amor”, sou uma voz perdida num deserto. Cinquentões idiotas, que não são nem velhos para terem benefícios sociais, nem jovens o suficiente para gozar dos direitos e condições dos jovens. O que somos então? Perdidos no Espaço, num espaço sem ar, sem paixão e sem amor. Buracos negros… Mas, pouco importam o que pensam sobre meus pensamentos dinossáuricos, acredito neles e brigo por eles. Não, não estamos mais nos anos 70! De fato, então que vivam os anos 70! “O Rei está morto, então viva o Rei!”

De qualquer forma, minha insatisfação e meu desejo de me livrar de dores estão expostos em A Barata, por intermédio de cerca de 400 poemas que escrevi. Só existe uma forma de enfrentar a dor, encarando-a de frente, travando com ela uma batalha… Mortal. Afinal, Viver é Fatal!

9/12/2009

“Cigarros são a forma perfeita de prazer: elegantes e insatisfatórios”. – Oscar Wilde

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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