Crônica – Os Poetas Mortos da Sociedade

Quantos poetas e sonhadores enfiaram a cabeça no forno e transformaram em um bolo assado seus cérebros atormentados? Quantos enfiaram suas cabeças dentro de laços feitos com as cordas de incompreensão? Quantos apontaram à própria caixa craniana e atiraram sem piedade? Quantos morreram feito ratos, não por covardia, mas pelo desprezo e o asco que se lhes impunham? Quantos enfiaram no próprio peito as facas que lhes cortavam o caminho? E quantos tantos piraram e pairaram sobre a sociedade que lhes engolia e cuspia. Que lhes estuprava e lhes abduzia, mas não lhes seduzia?

Quando o afirma que sua poesia é sua arte é seu trabalho, e que seu trabalho é sua arte, o poeta é tachado de preguiçoso, vagabundo e ermo. O poeta luta, dentro de si, contra uma sociedade que insiste em tratá-lo como demente e inútil. E em colocar-lhe a pecha de doente e pervertido. E um poeta também tem fome, não apenas de diversão e arte, mas de comida e moradia.

Aos poetas a inanição, aos poetas o desprezo… E apenas a morte os consola. Não há saraus, não há ouvintes, não há poesia nos ouvidos e nem nos corações. A poesia está morta, O Rock está morto e sobram apenas a incompreensão e a angústia. E laços, gás, balas, veneno… É o que sobrou àqueles que acreditaram na poesia, que acreditaram…

Não há mais nudez, apenas a mudez e a surdez. Troquem de roupa, coloquem esse uniforme azul claro que transforma a todos em uma massa disforme de carne humana. São todos pervertidos, inumanos e vaidosos. E passem longe de meu velório…

18/03/2012

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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Bel
Bel
9 Meses Atrás

Maravilhoso