Crônica – Oscar Wilde e os Papagaios

A finalidade da arte é, simplesmente, criar um estudo da alma, mas toda arte é completamente inútil…   –  Oscar Wilde

Wilde foi um dos artistas mais subestimados de todos os tempos. Tanto pelos muitos que não o conhecem, como pelos que usam suas frases aberta e descaradamente sem entender porra alguma. Tal e qual tantos outros artistas, como Syd Barret, Bob Dylan etc.. Mas aí chegarão os idiotas e afirmarão: arte não é para ser entendida, mas sentida. Merda isso! Balela pura, desculpa de quem não compreende, porque ignorante e mal-lido, mal estudado e mal alimentado. E não falo do faminto pela má distribuição de renda, falo daqueles que não alimentam o intelecto por preguiça ou burrice mesmo. E isso é também usado como desculpa por “artistas” que simplesmente não tem ou não sabem o que dizer.

Arte é para ser sentida, sim, é claro. Sentimento é fundamental. Mas a compreensão também. As frases escritas e ditas por pensadores ao longo do século são repetidas  sem nenhuma cautela, apenas com o intuito de impressionar, nas chamadas redes sociais, por exemplo.

Portanto, antes de usar uma frase, procure entender, não apenas a ela em si, mas ao seu contexto e o artista. A frase acima, por exemplo, é uma armadilha: foi construída por mim, a partir de duas frases separadas pelo tempo por Oscar Wilde.

E então, depois de 7 anos, lançamos o numero 7 da Revist’A Barata, em papel,  e o tema recorrente na mesa de criação é justamente a interpretação da palavra, dita e escrita, como no texto acima. Injustiçados, mal-interpretados, subestimados  ou super-estimados. Como o grande – e totalmente desconhecido – pensador brasileiro Inácio Bueno, Leminski, Syd Barret, Bob Dylan, e tantos que não couberam numa edição em papel, como Nikola Tesla, Apolônio de Tíana. E todos nós, que estamos procurando entender nossas próprias almas, inutilmente.

1/2/2012

“Cigarros são a forma perfeita de prazer: elegantes e insatisfatórios”. – Oscar Wilde

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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