Crônica – Pizza, Poesia & Rock’n’Roll

Alguma coisa acontece em meu coração… mas a esquina da São João com a Ipiranga não é mais a mesma! Caetano não é mais o mesmo, os Mutantes… mudaram e se mudaram. A Augusta está cheia de putas e puteiros e não existem mais shows de Rock decentes. O muro caiu, o socialismo acabou… e agora José? E agora João? E agora você? Acreditávamos em sonhos e agora são os sonhos que não acreditam em nós… A gente continua com fome de paixão… Acreditar em quê? Sexo, Drogas e Rock’n’Roll? Acredito em Pizza, Poesia e Rock’n’Roll… Janis, Lennon, Raul… Estão todos mortos e os fracos estão todos vivos… Eu inclusive! Comamos a Santa Ceia da “ingnorância”… Pobres crianças sem esperanças e empregos e sonhos… O Rock está morto! Morreu junto com Deus! O sonho acabou, a festa acabou… E agora José? E agora John? Apanhem os pedaços de cérebro espalhados por Nova Iorque… Na frente do Edifício Dakota… Quero cantar, quero contar, uma história bem antiga, caminhando e cantando e seguindo a canção… Somos todos iguais braços dados ou não (?) Não, não somos todos iguais, braços dados ou não! Abraços dados ou não… O que aconteceu com a Poesia? Ah, deixa pra lá… E com a Pizza? Quero minha com mortadela… Estou enjoado hoje! O estômago dói de fome e eu não como ninguém há muito tempo… Morri e nem sei em que mês… Metrô Linha 743… Raulllllllllllllllllllllllllll! Comeram meu cérebro no jantar de ontem à noite e eu nem percebi… Ah, quanta coisa queria falar, mas minha língua está cortada… Então, escuta aqui… Cinco e meia da manhã e eu não sei se o dia amanhece hoje e se amanheceu ontem… Insônia terrível essa! Queria alguém agora deitada em meu colo, e eu lhe fazendo cafuné… E ela chupando meu pau! Credo, que cara nojento! Quero carinho e sexo e não tenho o que nem quem comer… Então escreve ai! Meu caderno de anotações está cheio de letras de música, de poesias e rabiscos. Pára com isso! Quero minha pizza com molho de menstruação! Escrevo poesias para não enlouquecer… Me masturbo embaixo das cobertas para não esquecer… Que existo. Já tive amores sim! Existe uma mulher que está comprando uma escada para o céu e eu nem sei onde isso vai dar… Quem vai dar? Pra quem? Pra mim, que é bom, ninguém quer! Esqueci quem sou e nem lembro porque… Mas por quê? Existiam putinhas bonitinhas na esquina da São João com a Ipiranga… Hoje tem apenas um bando de camelôs e Caetano nem Gil andam por lá apenas os novos baianos… O que aconteceu com a música, meu Deus do Céu? Do Céu? Meu? Deus? O que aconteceu com meu Deus? Ele fugiu de mim igual minha mulher? O que esperar de mim? Alguém espera por mim? Minha mãe? Onde anda? Sonho que se sonha só… É só um sonho… Mas ontem eu tive um pesadelo, quem quer dividir comigo? Pára com isso, cara! Todos os meus pensamentos estão sendo vigiados, existe um americano em cada esquina e em cada esquina da minha angústia, uma cançãozinha antiga me faz lembrar minha paixão! Ah, mas existem ainda a Pizza, a Poesia e o Rock’n’Roll! Ah, quanta coisa eu queria falar, escrever, mas arrancaram meus dedos! Ainda bem, senão eu ia enfiá-los no seu rabo sujo! Foda-se, amigo! Meus sapatos estão gastos, minhas calças rasgadas e eu nem sei o que pensar! Espera um pouco ai… Vou ali na esquina me suicidar e já volto! Patas de baratas arranham meu cérebro e hoje eu nem comi nenhuma… Aceita um cafezinho? As paredes escutam meus pensamentos e surdas são as mulheres! Paredes? Os sonhos não me deixam dormir… E a esquina da São João com a Ipiranga… Onde fica mesmo? O que fizeram com o Rock? O que fizeram com a Poesia? O que fizeram com a Pizza? O carteiro entregou uma carta… de baralho! Caralho!!!!!!! Tem certas rimas que são perigosas! Ah, como eram gostosas as putinhas da São João! E as Pizzas, então….! A Poesia… Um dia encontrei umas folhas datilografadas com poesias no chão da São João… Seria alguma Puta-Poeta? Ah tinha, sim… a Regina era uma puta que tinha uma buceta tão quente que queimava a cabeça do pau! Quer poesia melhor que essa! Aprendi muito com as putas da São João…. Caetano comeu alguma delas? Acho que não! Lembrei de Henry Miller… sei lá, esse jeito de escrever! Foda-se ele também! O velho Buk deve estar se mijando de rir disso! Tomando um porre com algum anjo! Quando eu morrer… morrer…. morrer… Eu tenho um sonho… Então passa manteiga nele! Estou nu na chuva e na escuridão e nem um Rock pra acalmar minha ira! Garçom traz uma Pizza, de Mussarela com bastante azeitona! E um guardanapo de papel pra eu escrever minhas mágoas e depois limpar o cu! Bobagem! Chama a polícia! Prendam o garçom e o poeta! Tirem esses pregos da minha mão que eu não sou Jesus! Ah, Madalena! Não conheci nenhuma puta com esse nome! As putas, coitadas, nem têm nomes! Ângela era uma puta por quem me apaixonei! Onde anda? Com certeza é uma puta-velha ou uma puta-morta! Ao vencedor, as baratas! “Eu desisto, Não existe essa manhã que eu perseguia” O dia nem clareou, as putas estão indo pra casa! E tudo o que eu preciso é de Pizza, Poesia e Rock’N’Roll!

4/29/2003

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

5 1 Vote
Article Rating
Assinar
Notificação de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários