Crônica – Resquícios Críticos Indecentes (Ou Ctrl C/Ctrl V)

O Google foi a grande revolução na Internet, qualquer pessoa conhece isso. Juntamente com o Orkut, outro produto da mesma empresa, ele mudou a forma como as pessoas usam a Internet. Qualquer pessoa com acesso a um computador conectado á Internet que deseja saber algo sobre alguém ou alguma coisa automaticamente usa desse mecanismo. Bibliotecas? Ás baratas! Amigos cultos e sábios que antes eram acionados para nos tirar uma dúvida? Ao ostracismo!

Qualquer ser um pouco pensante e um pouco carente de humanidade percebe o quanto é bom e ao mesmo tempo ruim. Bom porque torna a informação ágil e rápida… Mas nem sempre precisa, pois afinal, do mesmo jeito que o papel, páginas de Internet aceitam qualquer coisa. Qualquer informação errada até ser percebida, passou por verdade. Por outro lado é sabido que a Internet isola as pessoas, as deixa mais egoístas. Amigos deixam de ser de carne e osso, passam a ser avatares e nomes confusos. E assim por diante.

Mas não quero entrar em aprofundamentos, nem em polêmicas quanto ao uso da Internet e todas as a suas vantagens e desvantagens, mesmo porque o presente texto está sendo lido dentro dela, mas sobre a espécie de cápsula do tempo que ela representa. Ontem digitei meu nome entre aspas no Google e recebi por  resposta que existiam 2.490 referências a ele. Páginas de A Barata, vídeos no YouTube, mensagens em Blogs e, o que me causa um certo incômodo: textos e poesias minhas publicadas em sites e blogs. E são muitas, acreditem. As pessoas copiam, colam poesias e pensamentos alheios sem nem sequer ter o trabalho de informar ao autor sobre o uso. Certo que o que encontrei sempre tinha a citação de meu nome… É, o que encontrei… E quem garante que não tem coisas minhas publicadas como se fossem de outras pessoas?  Perigoso isso! Uma cultura perigosa, essa do “Ctrl C/Ctrl V”.

As pessoas ainda acreditam que a Internet é um território de ninguém, que podem usar e abusar do uso de criações e pensamentos alheios. Poucas são as pessoas que se dão ao trabalho de mandar um simples E-Mail solicitando ou mesmo informando sobre a publicação. Mas também, de qualquer forma isso acaba criando uma teia, como é a proposta original da Internet de ser uma Teia Ao Redor do Mundo, e assim nos tornamos “Celebridades”, e em alguns casos, como disse Andy Warhol, famosos por 15 minutos.

De qualquer jeito, também tem a questão do direito da privacidade. Normalmente encontramos quem quisermos na Internet, ao menos até certo ponto. “O que anda fazendo aquela ou aquele ex?”, garanto que a maioria já fez ou faz isso… Voyeurismo? É, pode ser, mas a verdade é a seguinte: se você não quer que ninguém saiba nada a seu respeito, passe longe de computadores e Internet. Só tem esse jeito. Sempre expus minha vida na Internet, afinal sou escritor, poeta e há 11 anos mantenho um site aberto, voltado a cultura Rock e Idéias, que tem por lema: “Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade”. Isso me torna um alvo e me cria uma certa responsabilidade pelos temas e assuntos que coloco, mas o preço, é o desnudamento, que nem sempre é bem aceito e compreendido.

Claro que muita gente torcer as narinas e ergue as sobrancelhas sobre minha “mania” de expor minhas coisas na Internet, mas no final das contas o que as pessoas querem é isso mesmo. Em uma entrevista recente, a pessoa citou um texto meu publicado há mais de três anos. O entrevistador não esquecia aquilo. E era um texto chamado: “BBB ou Big Brother Barata”, não preciso falar do conteúdo. 

Sou uma pessoa pública, não tenho dúvidas disso. Tenho um programa de Rádio na Internet, quase 400 poesias escritas e outras centenas de crônicas e contos, todos publicados. Sou um ser humano transparente e claro, todos sabem o que sou e o que penso, portanto. Barata não é um personagem, um “Fake” de Orkut. Embora não seja meu nome de batismo, é meu nome de batismo de fogo, e foi criado a partir de um trabalho, não o contrário. E é disso que tenho muito orgulho. Quem não deseja ter um nome atrelado ao seu trabalho, ao seu prazer, a sua paixão?

Mas o triste é saber que 2500 referências dentro da Internet não são suficientes para que eu consiga uma forma de ganhar minha existência, dinheiro, estou falando! 51 anos, trabalho desde os 12, 13 anos, mas parece que estamos em uma sociedade que não aceita a experiência, porque experiência significa não aceitar certos dogmas egoístas e mercenários impostos, porque representa menos dinheiro em contas milionárias.

Mas, enfim, ao criar A Barata há 11 anos estou certo que lancei ao mar minha garrafa de náufrago, lancei ao espaço minha cápsula. O que sou, o que fiz e o que penso estão esparramados Internet afora. E apesar das críticas de algumas pessoas sobre a escolha do nome, A Barata sobreviverá ao holocausto mental da humanidade, ao holocausto cultural, ao holocausto egoísta. E principalmente sobreviverá ao Câncer, ao Leão e aO Escorpião.

9/29/2009

“Cigarros são a forma perfeita de prazer: elegantes e insatisfatórios”. – Oscar Wilde

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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