Crônica – Sílabas

Quando eu era criança, embalado pelas músicas, eu queria ser compositor. Pensem… Com-po-si-tor. Quatro sílabas… Uma palavra grande demais para alguém tão pequeno. Cresci um pouco e quis ser escritor. Era melhor: só três: es-cri-tor. Aí fiquei adulto e percebi que o bom mesmo seria ser cantor. Minimizei em duas: can-tor. Aí virei idoso, com três sílabas que não sei se são tônicas, e resolvi que bom mesmo era ser ator. Que maravilha, só duas minúsculas sílabas: a-tor. Agora, que nem sei mais o que sou, penso que quero ser apenas o que eu for. For, com apenas uma sílaba. Aprendi que o tempo nos faz escolher menos silabas.
13/07/2021

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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