Crônica – Sonha Comigo!

É o último mês do ano, mas a noite é fria. É fria porque é fria, ou é frio porque sou eu? Minha cama é mais estreita do que nunca. Ela, que foi há muito o suficiente para mim. Hoje é pequena, é curta e dura. Aquele colchão parece de pedra. A imagem em meu computador, em meu celular e em minha cabeça é a mesma. Mas o computador não responde, o celular não recebe mensagens e minha mente… Ela não mente. É frio e minha garganta dói. Uma gripe ao certo, e ninguém a me oferecer um analgésico. Tenho dores muito fortes. O corpo inteiro dói. Minha alma dói sobre aquele colchão duro. Tão duro quanto eu. Tão dura é minha solidão. Amo de paixão, cobro de mim as respostas, sou meu próprio carrasco e nem tinha percebido. Anjos pairam sobre minha cabeça e eu os espanto feito moscas. Não quero estar aqui, está entendendo? São três horas da manhã e eu espero uma ligação. Ninguém quer falar comigo? Porque? Porque eu falo demais? Mas se não falasse ninguém precisaria falar comigo. Sou o que sou e estou aqui. Não existem baratas que falem comigo. Apenas mosquitos e estou às moscas. Iri dorme. Sonha comigo? Sonha comigo! Um dia sonhei contigo e quando acordei dormias ao meu lado, o sonho da Paz que eu tinha perdido há muito tempo, dentro de túmulos de cemitérios. Tenho saudades de mim e achei em Iri o futuro de minha existência. um futuro que acreditei nunca existir. Mas estou agora, com frio e doente, uma dor que não acaba e um sono que não chega. Queria dormir e acordar ao seu lado. Há dias que parecem séculos não durmo ao seu lado e eu nem sei o que esperar de amanhã. Amanhecerá? Para quem não dorme não existe amanhecer. Apenas surge o dia, mas o Sol mesmo que apareça não brilha. Não há graça em um dia quando ele não surge junto com a quem a gente ama. “Minhas palavras são um sussurro, sua surdez é um grito.” Eu tenho medo de perder então é melhor deixar a mesa de jogo? Eu não jogo, não sei jogar. Apenas agora estou com frio, em uma madrugada de Dezembro. Outro Natal de tristeza e solidão? Meu presente chegou em Outubro. E não era um brinquedo, era um sonho. Sonhos não são brinquedos e eu não brinco com sonhos. Sonhe comigo!!! Sonhe comigo, minha amada! Eu sonho contigo! Em todos os meus sonhos, esperanças e desejos sua presença é que há de forte e concreto. Um castelo de sonhos, mas com uma Rainha real. Tenho a Rainha e irei construir ao seu redor e em sua honra o meu castelo. Minhas palavras são duras quanto as pedras do castelo que irei lhe construir, creia nisso! Mas porque não chega uma bendita mensagem, nem no celular e nem na tela do meu computador. Celulares e computadores são frios, apenas meios, mídias, que como ruas carregam meus sonhos até ela. Quilômetros não separam minha saudade. O que separa minha saudade, então? Eu não tenho a resposta, a resposta não está em mim! Estou tonto e torto de sono mas não consigo dormir. Espero, espero, espero. Horas são séculos! Séculos são horas e meu peito dói e o coração ainda explode. Quero acordar mas nem consegui dormir ainda. Sonha comigo? Sonha comigo! Sonha junto comigo!

12/9/2007

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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