Crônica – Subindo Pela Escada Que Desce

Quando garoto eu subia escadas de prédios no centro da cidade em busca de putas. Eram as melhores as que ficavam acima do quarto andar, aprendi. Eram as mais carinhosas. Um dia uma me empurrou escada abaixo e então desci pela primeira vez uma escada sem usar os degraus. No outro dia, quando voltei ali e quis subir, alguém colocou a mão no meu peito dizendo: “Estás subindo pela escada que desce!” E sempre foi assim. Sempre minhas tentativas de subir eram por escadas que desciam. E não pensem que essa conversa é daqueles beberrões que, caídos na beira da sarjeta, esperam apenas a morte para que não sintam mais a ressaca. Daqueles que se sentem derrotados, injustiçados, feridos, com baixa auto-estima. Não, nada disso. Subir pela escada que desce parece ser um fenômeno na minha existência. E eu sempre subia. A escada é que descia.

02/04/2013

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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