Crônica – Viva, Meu Sonho! Viva! Viva!

Sei bem o que é frustração e desejos atirados dentro de negros sacos de lixo. Sei bem o que é ter planos arruinados por falta de tato, capacidade e conhecimento, metas traçadas a compasso e régua que perderam o alvo ou o controle desmoronam feito um castelo de cartas. Sei bem o que é ter a sensação de fracasso, que em muitas oportunidades não é apenas sensação, mas fato. Sei bem o que é errar, sei bem o que frustrar expectativas alheias. Sei bem o que é esquematizar um plano e ter absolutamente certeza de que ele é o plano correto, infalível, e depois vê-lo, pedaço a pedaço sendo derrotado. Sei bem o que ter Sonhos e vê-los acabar em pesadelos.

Mas não sei o que é desistir de Sonhos, mesmo se por algum momento eles se transformam em pesadelo. Sou um sujeito muito chato, todos falam. Sou um cidadão cuja vida não serve de exemplo á ninguém. Sou um homem cujo único patrimônio restante por todas essas coisas que “Sei” é apenas… Um Sonho. Sei a dor que cala profundo quando escutamos nosso Sonho abandonado em um canto escuro de nossa vida. Sei o que é passar noites e dias e noites e dias e… Escrevendo o que ninguém lê, falando sobre idéias e planos que ninguém tem o menor interesse. Sei o que é mostrar o que ninguém tem interesse em enxergar, falar o que ninguém tem interesse em escutar…

Claro, estou sendo piegas mesmo. E daí? Não tenho pretensão a intelectual do ano. Quando fui taxado de pseudo-intelectual, dei risada e falei: é melhor ser pseudo-intelectual do que real-burro.

Nunca desejei os tapinhas nas costas por uma glória que jamais alcancei, nem as falsas demonstrações de cumplicidade e falsa amizade quando meu fracasso parecia eminente. Quando meu fracasso como promotor de Eventos Culturais ficou evidente, não lamentei o prejuízo financeiro e moral. Comemorei porque queria apenas estar ali, fazer, participar. Se com isso pudesse conquistar o respeito das pessoas e a partir dai torná-las amigas, um tanto melhor. Em alguns casos isso aconteceu, em outros não.

O que tenho de real valor e é realmente importante é aquilo que tirei dos meus erros. Nunca os neguei, até aos inimigos que os usariam, como usaram, como arma contra mim mesmo. Podem me chamar de irresponsável, de doido, de um monte de coisas, por ter trocado algo que era tido como aceitável, mesmo que isso significasse minha infelicidade, pelo inaceitável. Aceitável e inaceitável são conceitos social-religiosos criados com o único intuito de calar Sonhos e coibir a coisa que o ser humano de mais precioso e necessário: a Liberdade. E Liberdade é o caminho direto do Sonho. O “bem” e o “mal” são conceitos tão imprecisos quanto o “certo” e o “errado”. O maniqueísmo e o proselitismo são armas de manipulação.

A condenação que Deus impôs a Adão e Eva foi lhes tirar o Sonho e a Liberdade. E ai a humanidade se perdeu. E ai temos o que temos,  e as pessoas morrem ou enlouquecem por causa de seus Sonhos. Nas bocas de artistas, poetas e profetas, o Sonho é pronunciado sem qualquer critério ou cerimônia, mas foi o Sonho, sim foi ele, o responsável pela humanidade ter chegado aonde chegou. E se temos uma realidade de guerras e mortes estúpidas, é porque ninguém agüenta o Sonho do outro. A matéria prima do Sonho é a Liberdade e vice-versa. E o egoísmo é o maior inimigo do Sonho. E da Liberdade também, acredite.

Jamais trocaria meu Sonho por qualquer Sonho de padaria. Porque o da padaria mataria minha fome naquele momento, mas a fome maior me mataria. O estômago da alma roncaria mais alto até que eu vomitasse bílis e sangue e eu sangraria em uma hemorragia que iria inundar o planeta inteiro. Prefiro portanto morrer de fome de pão a morrer de fome de Sonhos. O alimento do espírito é o Sonho. E o alimento do Sonho é a Liberdade. E também vice-versa e versa e vice.

Um Sonho jamais é pequeno demais que não caiba dentro de qualquer conceito real de Liberdade. Um Sonho nunca é desnecessário desde que possamos fazer dele a nossa maior necessidade. Um Sonho jamais é inútil, mesmo que essa utilidade seja apenas a de se ter um Sonho. Um Sonho jamais é apenas um Sonho, desde possamos acreditar que ele é, ou poder ser, real.

Mas sonhos são como espadas, são armas de ataque e defesa, que cortam e sangram. Mas são essenciais ao guerreiro e ao ferreiro. Temos que ao mesmo tempo ser ferreiros, pegando o metal bruto e forjando sob fogo intenso – a paixão – malhar, colocar sob a água para dar a têmpera necessária, tornar a malhar e depois amolar.  Então é preciso que o ferreiro se transforme em guerreiro e tome a espada que acabou de transformar em seu instrumento de luta e parta ás frentes de batalha, mesmo que elas lhe pareçam lutas perdidas. Porque o ferreiro que forjou sua espada saberá a hora certa de enfrentar seu inimigo, saberá o quanto a carne de seu oponente é mais ou menos sensível ao corte de sua espada. Saberá exatamente o peso de sua espada e quanto de sua força e jeito serão necessários para erguê-la.

Eu jamais teria coragem de deixar um Sonho morrer dentro de algum canto escuro de meu cérebro ou debaixo de algum lençol cheirando á água sanitária, dentro de algum Hotel, Motel ou Repartição Pública. Porque ao morrer ele iria apodrecer e apodrecendo o cheiro de carniça tomaria o mundo de assalto. Carniça existe muita no mundo e não serei eu a jogar mais podridão nesse planeta. Portanto, Viva, Meu Sonho! Viva! Viva!

9/11/2006

Sei bem o que é frustração e desejos atirados dentro de negros sacos de lixo. Sei bem o que é ter planos arruinados por falta de tato, capacidade e conhecimento, metas traçadas a compasso e régua que perderam o alvo ou o controle desmoronam feito um castelo de cartas. Sei bem o que é ter a sensação de fracasso, que em muitas oportunidades não é apenas sensação, mas fato. Sei bem o que é errar, sei bem o que frustrar expectativas alheias. Sei bem o que é esquematizar um plano e ter absolutamente certeza de que ele é o plano correto, infalível, e depois vê-lo, pedaço a pedaço sendo derrotado. Sei bem o que ter Sonhos e vê-los acabar em pesadelos.

Mas não sei o que é desistir de Sonhos, mesmo se por algum momento eles se transformam em pesadelo. Sou um sujeito muito chato, todos falam. Sou um cidadão cuja vida não serve de exemplo á ninguém. Sou um homem cujo único patrimônio restante por todas essas coisas que “Sei” é apenas… Um Sonho. Sei a dor que cala profundo quando escutamos nosso Sonho abandonado em um canto escuro de nossa vida. Sei o que é passar noites e dias e noites e dias e… Escrevendo o que ninguém lê, falando sobre idéias e planos que ninguém tem o menor interesse. Sei o que é mostrar o que ninguém tem interesse em enxergar, falar o que ninguém tem interesse em escutar…

Claro, estou sendo piegas mesmo. E daí? Não tenho pretensão a intelectual do ano. Quando fui taxado de pseudo-intelectual, dei risada e falei: é melhor ser pseudo-intelectual do que real-burro.

Nunca desejei os tapinhas nas costas por uma glória que jamais alcancei, nem as falsas demonstrações de cumplicidade e falsa amizade quando meu fracasso parecia eminente. Quando meu fracasso como promotor de Eventos Culturais ficou evidente, não lamentei o prejuízo financeiro e moral. Comemorei porque queria apenas estar ali, fazer, participar. Se com isso pudesse conquistar o respeito das pessoas e a partir dai torná-las amigas, um tanto melhor. Em alguns casos isso aconteceu, em outros não.

O que tenho de real valor e é realmente importante é aquilo que tirei dos meus erros. Nunca os neguei, até aos inimigos que os usariam, como usaram, como arma contra mim mesmo. Podem me chamar de irresponsável, de doido, de um monte de coisas, por ter trocado algo que era tido como aceitável, mesmo que isso significasse minha infelicidade, pelo inaceitável. Aceitável e inaceitável são conceitos social-religiosos criados com o único intuito de calar Sonhos e coibir a coisa que o ser humano de mais precioso e necessário: a Liberdade. E Liberdade é o caminho direto do Sonho. O “bem” e o “mal” são conceitos tão imprecisos quanto o “certo” e o “errado”. O maniqueísmo e o proselitismo são armas de manipulação.

A condenação que Deus impôs a Adão e Eva foi lhes tirar o Sonho e a Liberdade. E ai a humanidade se perdeu. E ai temos o que temos,  e as pessoas morrem ou enlouquecem por causa de seus Sonhos. Nas bocas de artistas, poetas e profetas, o Sonho é pronunciado sem qualquer critério ou cerimônia, mas foi o Sonho, sim foi ele, o responsável pela humanidade ter chegado aonde chegou. E se temos uma realidade de guerras e mortes estúpidas, é porque ninguém agüenta o Sonho do outro. A matéria prima do Sonho é a Liberdade e vice-versa. E o egoísmo é o maior inimigo do Sonho. E da Liberdade também, acredite.

Jamais trocaria meu Sonho por qualquer Sonho de padaria. Porque o da padaria mataria minha fome naquele momento, mas a fome maior me mataria. O estômago da alma roncaria mais alto até que eu vomitasse bílis e sangue e eu sangraria em uma hemorragia que iria inundar o planeta inteiro. Prefiro portanto morrer de fome de pão a morrer de fome de Sonhos. O alimento do espírito é o Sonho. E o alimento do Sonho é a Liberdade. E também vice-versa e versa e vice.

Um Sonho jamais é pequeno demais que não caiba dentro de qualquer conceito real de Liberdade. Um Sonho nunca é desnecessário desde que possamos fazer dele a nossa maior necessidade. Um Sonho jamais é inútil, mesmo que essa utilidade seja apenas a de se ter um Sonho. Um Sonho jamais é apenas um Sonho, desde possamos acreditar que ele é, ou poder ser, real.

Mas sonhos são como espadas, são armas de ataque e defesa, que cortam e sangram. Mas são essenciais ao guerreiro e ao ferreiro. Temos que ao mesmo tempo ser ferreiros, pegando o metal bruto e forjando sob fogo intenso – a paixão – malhar, colocar sob a água para dar a têmpera necessária, tornar a malhar e depois amolar.  Então é preciso que o ferreiro se transforme em guerreiro e tome a espada que acabou de transformar em seu instrumento de luta e parta ás frentes de batalha, mesmo que elas lhe pareçam lutas perdidas. Porque o ferreiro que forjou sua espada saberá a hora certa de enfrentar seu inimigo, saberá o quanto a carne de seu oponente é mais ou menos sensível ao corte de sua espada. Saberá exatamente o peso de sua espada e quanto de sua força e jeito serão necessários para erguê-la.

Eu jamais teria coragem de deixar um Sonho morrer dentro de algum canto escuro de meu cérebro ou debaixo de algum lençol cheirando á água sanitária, dentro de algum Hotel, Motel ou Repartição Pública. Porque ao morrer ele iria apodrecer e apodrecendo o cheiro de carniça tomaria o mundo de assalto. Carniça existe muita no mundo e não serei eu a jogar mais podridão nesse planeta. Portanto, Viva, Meu Sonho! Viva! Viva!

9/11/2006

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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