Crônica – Viver… É Apenas Contar História

A Jon Lord e Meu Amigo ARL, que hoje deixaram de contar e fazer parte de algumas histórias

Quando morre uma pessoa com quem partilhamos um pedaço de nossa história nos sentimentos tristes. Tristes, porque com ela desaparece um pouco de nós mesmos. E não ficamos tristes apenas por saudades, por falta da presença, por gostar ou deixar de gostar. Nem é porque amamos ou até mesmo odiamos, mas porque com ela morre sempre um pouco de nós, justamente aqueles pedaços, bons ou ruins que compartilhamos com o morto. Aqueles pedaços se foram para sempre e então sentimos a nossa própria morte ali… E nos sentimos fracos porque aquele ser defunto carregou com ele um pedaço, maior ou menor de nós. Sabemos que no fundo somos todos apenas mortos demorando um pouco mais ou um pouco menos. Somos apenas história, e a de cada um é formada por pedaços das histórias dos outros. Um pedaço de cada um que interagiu conosco, forma a nossa história, e cada pedaço nosso, a história de todos aqueles com quem a partilhamos. Então, quando morre alguém com que interagimos por anos, apenas por dia, apenas por uma hora, ou mesmo apenas por intermédio de um olhar, morre um pouco de nós. Mesmo quando morre alguém que sequer soube de nossa existência, um artista, por exemplo, que fez parte da nossa história contando a dele, nos entristecemos profundamente. E não há nada errado nisso, pois ao morrer um cantor, por exemplo, cujas musicas embalaram certos trechos de nossa história, sentimos que aquele pedaço se foi com ele… E ele fez, mesmo sem saber, parte da nossa. Até que não sobre nenhum pedaço de nossa história, a não ser… Histórias. Façamos então com que com cada pessoa com quem partilhamos um pequeno pedaço de nossa história, que seja ela apenas por uma palavra, apenas por um olhar, apenas por um gesto, o melhor pedaço da nossa história e do outro. Apenas assim estaremos perpetuados… Na história. Assim seremos eternos…. Porque enquanto nossa histórias perdurar estaremos vivos. Cabe-nos, portanto escreve-la da melhor forma possível e contribuir para que todas as outras histórias que ajudamos a construir, também se tornem… Eternas. Porque viver… É apenas contar histórias…

16/07/2012

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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