Crônica – Viver é Fatal! Quem Viver… Vi…Verá!

Procurei respostas á fenômenos digamos estranhos que ocorrem durante minha existência, por mais de 50 anos. Procurei em espiritismo, igrejas católicas e protestantes, budismo, Hare Khishna, umbanda; procurei também nas mulheres com quem casei e nas que comi; procurei nas putas, no Rock, no sexo… E procurei dentro de mim também, porque todas elas diziam que estava dentro de mim as respostas. Mas todas elas mentiram. A Bíblia mente e todos os livros, todas as mulheres e todas as músicas mentem. Dentro de mim no lugar das respostas, encontrei apenas mais dúvidas e rancor pelas mentiras que todas indistintamente me contaram.

Fizeram-me acreditar nelas, nas igrejas, religiões, seitas, músicas, poesias, mulheres, putas, esposas, para depois jogarem a batata quente umas nas mãos das outras. Todas mentem, mentiram e mentirão. Não existem respostas. Tudo é mentira! O que mata aos poucos? A vida mata aos poucos. Não a doença, não a guerra, nem o cigarro. A vida é uma mentira e mata aos poucos, então a mentira mata aos poucos. Um dia me perguntaram onde minha “mania” de dizer a verdade me levaria. Certo que quem falou isso é um mentiroso contumaz, daqueles que mentem por mentir, quase uma psicopatia. Mas é chocante escutar que a verdade realmente não nos levará a lugar nenhum. Mas a mentira também não.

Portanto, não acredito em mulheres, putas ou não; não acredito em músicas, tristes ou não; não acredito em igrejas, católicas ou não. E não acredito em anjos, sejam do bem, sejam do mal. O bem e o mal também são mentiras impostas. Talvez as maiores de toda a humanidade. Freios, apenas formas de refrear ímpetos, manter as pessoas debaixo de regras estabelecidas por interesses próprios. Maniqueísmos á parte que ninguém é bom ou mal porque eles não existem, sobra o quê, por objetivo de vida? Quando a gente perde a confiança naquilo que é o Bem e o Mal, naquilo que é a Verdade ou a Mentira e perde com isso o senso do que é o Amor e o Ódio, perde não apenas o freio,  – isso já por si só perigoso não á sociedade mas a gente mesmo -, mas o acelerador da vida.

Não existindo “porquês” não existem “comos”. E não existindo “comos” não existem “porques”. E tudo se repete num moto perpetuo. Até o fim de algo que nos ensinaram – as mães, igrejas, mulheres, putas, dogmas, etc. – chamado Vida. E Viver é Fatal. E no fim tudo é Mentira… Ou Verdade??? Quem viver… Viverá!

10/1/2009

“Cigarros são a forma perfeita de prazer: elegantes e insatisfatórios”. – Oscar Wilde

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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