Crônica – Vontade e Ideal

Dias atrás, uma amiga virtual, a Joanna Franko, colocou uma citação na Facebook de autoria de Ayn Rand. Confessei minha ignorância em nunca ter lido nada e quando me deparei com a obra, me senti um tolo, um inútil, um verdadeiro analfabeto literário, apesar de tudo que já li. Pois o que encontrei sobre essa filosofa e escritora de origem judaico-russa, radicada nos EUA, me fascinou, me deixando dias plantado à frente do computador, em sites de busca, procurando mais e mais informações sobre ela. E busquei os livros. Acabei de pedir por um sebo virtual uma de suas obras mais significativas, os três volumes de “A Revolta de Atlas”. Mas “A Nascente” (The Fountainhead, escrito em 1935) passei dias revirando sites de sebos e editoras sem sucesso. No You Tube encontrei um dos trechos mais impactantes da obra que foi levada ao cinema, em 1949, com Gary Cooper no papel do arquiteto idealista e com a direção de King Vidor. Como sempre a tradução brasileira, (“A Vontade Indômita”) é histérica, parecendo se referir a filme de faroeste, muito em voga naquela época. Do ponto alto do filme, que também consegui encontrar e acabei de assistir, retirei um trecho texto que é o discurso no julgamento do arquiteto Howard Roark, vivido por Cooper, onde ele faz uma defesa do individualismo. Os scripts do filme foram escritos pela própria autora. O texto a seguir foi construído a partir de duas bases: o áudio em português e uma tradução encontrada num blog. Que provavelmente foi transcrita do livro. Fiz uma mixagem entre as duas, pois achei que a tradução de uma ou outra versão, ou possui erros ou não é tão literária.

Agora, cumpre-me a obrigação de fazer o que qualquer pessoa a quem foi entregue o mapa de um tesouro incalculável, que é o de seguir cada passo, cada caminho que o leve até ele. Neste caso, a obrigação de buscar todas as obras de Ayn Rand. E por uma necessidade egoísta, de agradecer a quem lhe ofertou, gratuitamente o tal mapa, a Joanna Franko. Uma demonstração de que a parte as redes sociais serem compostas de pessoas carentes, que lutam por demonstrar o quanto são amistosas, belas, francas, sinceras e revolucionárias, ainda existem pessoas que agem exatamente da forma daquilo que Ayn Rand chama de “Criadores”: pensando, criando, produzindo e não servindo nem dominando, mas fazendo com as outras pessoas uma “troca livre e de escolha voluntária.”

02/07/2012

Trecho do Discurso do arquiteto em “A Nascente”:

(…) O criador segue seus próprios julgamentos, o parasita segue as opiniões dos outros.
O criador pensa, o parasita copia.
O criador produz, o parasita tira dos outros.
O interesse do criador é a conquista da natureza. O do parasita é a conquista do próximo.
O criador exige independência. Ele não serve, nem domina. Ele faz com homens uma troca livre e de escolha voluntária. O parasita procura o poder. Ele quer reunir todos os homens num ato comum a todos e de escravização comum. Ele alega que o homem é somente uma ferramenta para o uso de outros, que deve pensar como eles pensam e agir como eles agem. E viver em abnegada e triste servidão de qualquer necessidade, menos a dele mesmo.
Vejam a história! Tudo o que temos, cada grande realização, veio do trabalho independente de alguma mente independente. E cada horror ou destruição tem origem na tentativa de reduzir os homens a rebanhos sem cérebros, robôs sem almas. Sem direitos pessoais. Pessoas sem ambição. Sem vontade, esperança ou dignidade.
Esse conflito é muito antigo. E ele tem um outro nome: o Individual contra o Coletivo.
(…) Estamos nos aproximando de um mundo no qual eu não posso me permitir viver.
Minhas idéias são minha propriedade. Elas foram retiradas de mim à força, por quebra de contrato. Nenhum recurso me foi deixado.
(…) Vim aqui dizer que eu não reconheço o direito de ninguém a um minuto de minha vida. Nem a qualquer parte de minha energia, nem a alguma de minhas realizações. Não importa quem faça essa reivindicação.
Tinha que ser dito. O mundo está perecendo em uma orgia de auto-sacrifício.
Eu vim aqui para ser ouvido em nome de cada homem independente que ainda resta neste mundo.
Eu quis estabelecer meus termos. Eu não quero trabalhar ou viver em nenhum outro.
Meus termos são: o direito do homem de existir por suas próprias razões.”
(Ayn Rand)

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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