Crônica – “When I’m Sixty Four”

Hoje estou no primeiro dia do meu novo ano, ou no “primeiro dia do resto da minha vida”. Sei que sou de progressos e retrocessos, de calmas e almas, mas como também uma espécie de ato falho da natureza, embora acredite que a beleza não se ponha na mesa, mas na cama. A liberdade nunca será presente, muito menos dádiva, e meu maior sofrer é perceber o quanto esta nossa sociedade está doente, espero que não seja terminal. Não sou médico, afinal. Aniversários não são adversários, placas que nos indicam a contramão, ao contrário, por mais óbvio que isso pareça, se cheguei até aqui é porque não morri antes. Se tivesse morrido quando queria eu não conheceria pessoas que me odeiam, e pessoas que me amam, que parecem travar entre si uma batalha invisível, sem saber as existências uns dos outros. De fato sou quase um gigante, ou o maior anão do mundo, e quando falo em tamanho falo de falo e falo de falar, de calar, de conduzir, de produzir e de seduzir. Sou sedução, profusão, confusão e tesão. Sou Barata, então!

26/06/2021

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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