O Amigo Naturista e o Criador do Pink Floyd

Há cerca de um ano pretendia escrever um texto sobre Syd Barrett para a Revist’A Barata. Considero Roger “Syd” Barrett um dos maiores gênios não apenas do Rock, mas de toda a música contemporânea, e sai pelas páginas virtuais em busca de mais informações e imagens. Queria escrever algo um tanto diferente, não apenas uma outra biografia, afinal ninguém merece ler outra biografia de Pink Floyd ou de seus membros. Depois de muitas páginas lidas e abandonadas por não oferecerem nenhuma informação diferente, nada que eu ainda não soubesse, entrei num blog por intermédio de uma busca no Google e o título do texto logo de cara me chamou a atenção: “Namorada Naturista de Syd Barrett, o Criador do Pink Floyd”. Decerto estaria ali um enfoque diferente. E estava mesmo! Comecei a ler o texto, ilustrado fartamente com as fotos do ensaio feito por Syd para o álbum “The Madcap Laughs”, com uma linda mulher nua, sempre de costas, exibindo um corpo maravilhoso. O contraste do olhar perdido e por horas penetrante de Syd com aquela bela mulher suscitava inúmeras alucinações, viagens, interpretações. E foi assim que Jorge Bandeira, o autor do texto de forma genial tratou: uma viagem transcendental para dentro da mente de Syd Barrett, com os olhos fixos no Naturismo de Karinne. Escrito na primeira pessoa, Jorge mistura ficção com realidade, viagem com sonho e nos desenha com tintas psicodélicas um quadro completamente natural traçando por horas um paralelo entre o Naturismo e a mente “nua” de Syd Barrett.

Acabei por desistir de meu intento, pois jamais poderia ser tão preciso e louco a ponto de produzir um texto tão cheio de imagens e interpretações quanto aquele. Desisti, ao menos naquele momento, e a acabei publicando apenas uma frase com algumas fotos… A partir daí retornei inúmeras vezes ao blog e reli o texto do Jorge, cada vez mais apaixonado por Karinne e pelas imagens criadas feito instantâneos por ele. Deixei uma mensagem no blog, nunca  respondida, e achei que o autor houvesse abandonado, que tivesse pirado, desistido.. Sei lá, tanta gente começa coisas na Internet e desaparece… Mas aquilo ficou martelando na minha cabeça. Aquela visão era muito forte. Aquele quadro pintado por Jorge Bandeira tinha cores intensas demais. Um dia, poucos meses depois, o reflexo de uma antena parabólica numa parede, num ponto de ônibus deserto me alçou novamente à condição de poeta e comecei a escrever um poema enorme: “A Sombra de Objetos Inexistentes”: “Apenas lunáticos enxergam o lado escuro da Lua, mas quem percebe a sombra de objetos inexistentes?…”. Uma resposta, ou contraponto ao que os remanescentes do Pink Floyd tentaram mostrar com “The Dark Side Of The Moon”, pretensa homenagem a Syd Barrett. “Um domingo de sol desses, eu levo minha sombra para visitar um parque qualquer, carregando em meu embornal um par de sanduíches de carne de elefante efervescente.” Minhas claras referências estavam pululando, pulando, pulverizando minha mente. “Pink Floyd rolando em um velho disco negro de vinil enquanto Syd Barrett ignora o corpo nu de Karinne e eu desejo ao seu.”… Este trecho, particularmente brotou inspirado na jornada naturista de Bandeira. E no final do poema: “Syd Barrett é um São Jorge moderno domando com sua lança psicodélica, um elefante efervescente de olhos de cristal.”. Depois de pronto o poema, gravei uma narração e fiz um vídeo onde misturo cenas de antigos vídeos pornôs, minha narração e a musica do Pink Floyd da era Barrett. O poema foi lançado em meu ultimo livro de poemas “Cohena Vive!”

Algum tempo depois, Syd e o Elefante Efervescente apareciam em meus sonhos e finalmente meu texto sobre ele saiu: “E nem Karine suportou comer bolachas passadas por debaixo da porta, colocou a roupa e desapareceu. (…). E Barrett respirou fundo, cavou um buraco bem fundo dentro de sua própria mente, e feito um coelho assustado ficou quieto, calado, deixando que pensassem que era a loucura o que o afastara do mundo.” Sentia que tinha pago meu tributo a Syd. Eu o desnudara. E também estava nu.

A alemã Nico era uma paixão desde a época, nos anos 70 que me descobri a trupe de Lou Reed e John Cale. E decidi escrever alguns textos sobre eles. O primeiro, dedicado á ela, foi publicado no Whiplash e entre as pessoas que comentaram, uma pessoa de nome Genecy Souza, de Manaus. Acabamos por criar uma amizade e ele acabou sendo a primeira pessoa a comprar minha autobiografia. Adicionado ao Facebook hora ou outra trocávamos algumas palavras. Mas há uns dias, decidi ler o texto do Bandeira novamente e ao reler, percebi que o mesmo tinha sido dedicado “a um floydiano de nome Genecy”. Não poderia ser coincidência, pois o “blog” era de alguém de Manaus, tal e qual meu amigo de nome incomum. Perguntei-lhe sobre o texto, ele confirmou e também falou sobre a amizade de mais de 25 com o autor, e do orgulho de ter tão maravilhoso texto dedicado à sua pessoa. E então, hoje ao acordar recebo um pedido de amizade virtual de Jorge Bandeira. Horas depois conversávamos via Internet sobre esse texto e principalmente sobre o assunto que mais interessa a ele, “uma pessoa que acredita que o Naturismo é a solução para muitos problemas da humanidade.”

 13/07/2012

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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