Poesia – A Morte na Vida Real Não é o Que os Poetas Imaginam

Na vida real, a morte é real, não surreal; não rima com sorte, nem tira passaporte;
A morte, na vida real não se esconde, não brinca de hospital, nem pratica esporte.
Na vida real, a morte não tem idade, periodicidade ou instinto de superioridade,
A morte na vida real é lenta, mesmo que rápida, por doença ou por eletricidade,

É na vida real que a morte chega, como um cobrador de crediário, impagável,
E é nela, na vida real, que a morte se instala feito um decorador insofismável.
Na vida real, e apenas nela, a morte atesta o que ninguém contesta e empresta;
Na real vida é ela, a morte, quem escolhe suas armas, faz o bolo e arma a festa.

Na vida real a morte mata, não faz poesia e nem prosa, na morte real a vida vai;
Na vida real a morte é santa, ao sacripanta, e ao que janta enquanto o outro sai.
É nessa vida, a real, que a morte surge, ruge feito leão faminto a devorae a presa,
É na vida real que a morte urge, como ponteiros de um relógio e não de surpresa.

Apenas na vida real é que a morte aparece, e não como novela na televisão,
A morte, como vida real, não desaparece, na mansão ou favela, da sua visão.
Ah, a morte, a quem poetas tolos chamam de sua, adoradores da beleza,
Acontece quando a vida que não é vida se vai, e vem da morte a certeza.

É na vida real que a morte acontece, a gosto, contragosto ou mesmo desgosto,
Nela, na vida real, é que a morte é o advento, como o vento soprando no rosto.
É nesta vida, a tal vida real, que ela começa, com a primeira batida do coração,
Nela, a mal vida real, que a morte cria sua arte, não mero objeto de decoração.

A morte na vida real não é o que os poetas imaginam e os profetas anunciam,
Na vida real a vida é mortal, aos que lutam, que correm e aos que renunciam.
É na vida, e apenas na real, que morremos, até antes do filme chegar ao final,
E na morte real, assim como na vida, chega primeiro quem ultrapassa o sinal.

7/7/2021

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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