Poesia – A Poesia ou a Vida!

Poesia, maldita poesia que me arranca os olhos da cara
Me rói os ossos, chupa minha carne e mata minha tara.

Maldita, maldita, que me rouba minha vida e a morte
Sanguinária, violenta e impudica, afasta a minha sorte.

Ah, sua desgraçada de olhos de puta e pernas de travesti
Que arranca meus sapatos e rasga a roupa que não vesti.

Ah, maldita desgraçada e infame que prostitui minha sina
Como te odeio, prostituta, com sua insana fúria assassina.

Maldita, que sejas maldita durante toda minha eternidade
E que maldita sejas minha ascendência até a modernidade.

Adorna o meu caixão e acende o fogo do forno crematório
E disseca as minhas carnes em lâminas de um laboratório.

Deixe que eu viva em paz, que morra tranquilo e silencioso
Me larga, infeliz, que não quero teu sonho doce e delicioso.

Me deixa, desalmada, que não quero tua companhia pedante
Pois decidi que vou viver apenas de vida, de agora em diante.

19/03/2014

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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