Poesia – Autobiografia

Falar de mim, falar por mim, uma autobiografia sem censura
Contando sobre o nascer, a infância e uma doença sem cura
Sou história, não sou bom e nem mau, nem barata soube ser
E não tinha ideia sobre o que queria quando fosse crescer.

Mas mesmo assim teimoso e tolo cresci, a estatura de gigante
Sem ser gentil, sem ser maldoso, e sem ser belo nem elegante
Apenas um idiota de jeitos esquisitos e desejos não saciados
Um perfeito cretino com gritos surdos e propósitos silenciados.

Agora lamento as punhetas mal batidas, as bucetas nunca fodidas
Alimento minha ira com doses de paranoias nunca compreendidas
Atento ao que sobra de minha carcaça enquanto cospem meu rosto
Aumento o rabo da cobra da desgraça e fico nu com meu desgosto.

Reclamo do não feito, das dores causadas e dos poemas rasgados
E vejo meus sonhos mortos, num caixão cheio de flores carregados
E cresçam, queridos, mas deixem que minha história fale por mim
Pois que fui seu inicio, fui seu meio e o que me veio foi meu fim.

07/06/2014

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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