Poesia – Banquete de Mentiras

E ontem comeram mentiras salgadas na hora do almoço
Tão saborosas que pareciam cagadas por um anjo moço
E eram elas tão suculentas que lhes escorriam pela garganta
Tão deliciosas que guardaram um pouco para hora da janta.

Jantaram sobras de mentiras, de sobremesa um tanto de hipocrisia
Tão doces que poderiam ter sido vomitadas pelo demônio da Poesia
E eram tão deliciosas que pensaram que estariam sempre saciados
Mas aquela comida era a mentira e nela ficaram todos eles viciados.

Acordaram hoje e comeram uma espécie de pão doce sem fermento
Tão gostoso que parecia ser dos deuses uma espécie de excremento
E dele se fartaram, regozijaram e vomitaram sobre a mesa da sala
De restos de comida e vomito se lambuzaram daquilo que não cala.

À tarde o que sobrou ao lanche foi um silêncio insosso, esmagado
O mortal silêncio que esconde a verdade não o cheiro de estragado
Mas ninguém tinha mais fome, ninguém tinha desejo de nada
E morreram todos, com a verdade em suas faces estampada.

16/01/2015

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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