Poesia – Beijo Grego

Começo agora a contar uma história em verso não prosa
Sobre como as mentiras são como o espinho de uma rosa
Um conto real que podem chamar de fantasia prodigiosa
Fatos que jamais poderão ser provados de forma litigiosa.

E a minha história começa há um longo tempo desde agora
Tempo sem glória em que um minuto poderia ser uma hora
E se há uma história sem glória o tempo não é o importante
Nunca importa o tempo quando a vitória não é a constante.

Também essa história não tem um começo nem fio condutor
E espero que goste o leitor, pois não há produto ou produtor
Nem perdedores e vencedores, enfim ninguém é o explorado
A competição é natural na humanidade, o fato inexplorado.

Então, sem mais delongas e maiores justificativas sem nexo
Começo a contar minha história repleta de putaria e de sexo
E agora percebo no leitor um sorriso maroto de cumplicidade
Sabendo que qualquer gosta daquilo que lhe dá a sociedade.

1 – Prólogo
James enfiou seu caralho no cu de Janete, a Puta
E ela gemeu com as dores que o prazer se disputa
Há tempos ele queria comer aquele rabo gostoso
Mas Janete o tinha apenas ao bardo prestimoso.

E James meteu até o saco, encostando o saco na bunda
Enquanto Janete rebolava feito uma cadela vagabunda
Mas o corno a tudo via e uma punheta batia no canto
O poeta sabia que Janete era da poesia o seu encanto.

James metia, Janete gemia e o marido também a queria
E Janete chupou a rola do marido enquanto James comia
Todos fodiam, todos metiam, até a mãe de Janete aparecer
E ela fodeu com o genro e viu James o amante desaparecer.

E o que fodia Janete pulou a janela e foi ao outro enrabar
Era o sogro do poeta, uma bicha velha, um bêbado de bar
Que família feliz era aquela de Janete, virtuosa da esquina
Ela pensava quando na sua cara lhe voou um jato de urina.

Intromissão 1
Se esse prólogo lhe parece sacana, espere até lhes contar
O que Janete e seu bardo podem de sacanagem aprontar
E quando eu acabar sobre a Dama do Beijo Grego a saga
O nobre leitor fugirá de meus escritos como foge da praga.

2 – A História
Aos quinze, Janete perdeu o cabaço sobre o saco de cimento
E se não foi bom, ao menos foi um romântico acontecimento
O sangue virginal misturado ao material cerâmico petrificou
Erigindo uma estátua à sua virgindade, tão duro que ficou.

E se perdeu o cabaço, Janete passou a dar a bunda ao mundo
De uma esquina a outra, bairro a outro, e de José a Raimundo
Qualquer pinto não bastava, e qualquer rola lhe era pouca
E Janete ficou conhecida pela cidade como puta porralouca.

Janete Daiana, o nome composto, de sobrenome importante
Era comida em acampamentos, escolas e até sobre a estante
A prateleira de livros lhe era a preferida, já que ler não sabia
E assim fez dois filhos, sendo que aos pais sequer conhecia.

E não foram poucas as trepadas de Janete, tantas e muitas
Ela fodia por foder e não sabia contar as boas e as fortuitas
Janete não sabia gozar, sabia apenas que queria era o poder
E de tanta alegria sempre caiam lágrimas ao acabar de foder.

Intromissão 2
Sei que muitos dos leitores perguntam se Janete era gostosa
Ao que digo decerto que Janete era de todas a mais deliciosa
Magrela, quadril largo, buceta quente feito forno do inferno
E o que mais Janete tinha de bom, isso é meu segredo eterno.

3 – A Glória
Janete virou puta. Esse era o destino que decerto era o seu
Então o mundo nunca mais outra tão vadia puta conheceu
E se não sabem o que é ser uma puta, não perguntem a mim
Pois uma puta só se conhece quando o dinheiro chega ao fim.

De todas as putas ela se tornou rainha, até mesmo Messalina
Pois nenhuma como ela tinha por ser puta o destino e a sina
Então que de santa nunca teve, nem de Madre de um Convento
Janete fez da putaria sua riqueza e da língua o maior invento.

A língua era sua maior qualidade e além de deliciosa chupeta
Descobriu que poderia dar mais prazer que com sua buceta
E da língua ela fez sua fama e foi com ela que fez a sua glória
Porque foi Janete quem deu o primeiro beijo grego da história.

À porta do quarto filas de machos desejando ter os cus chupados
Ela lambia até que urrassem de prazer sem se sentirem culpados
Janete sabia despertar o prazer escondido no cu da macharia
E cedo, talvez um pouco tarde, sempre a outro cu ela acharia.

Intromissão 3
É claro que o leitor astuto e curioso, a este escriba perguntará
Se a ele também Janete deu seu famoso beijo, e ele responderá
Que à metade dos machos da cidade Janete deu prazer sem medo
E à outra metade também, mas que prefere tal tesão em segredo.

4 – A Moral
Do mendigo ao vigilante e do traficante ao superintendente
Sem contar médicos, passando pelo enfermeiro e o doente
Janete causou prazer imenso e vergonha depois de terem feito
Mas isso não ficaria assim pois beijou também o cu do prefeito.

E como a moral é a mãe de todas as leis, veio a ela sua desgraça
Pois criaram uma lei pela qual Janete só poderia beijar de graça
E aquele fosse pego dando a ela algum dinheiro seria fuzilado
Ao entender da Lei, humilhação deveria ser apenas de um lado.

E sem dinheiro não havia prazer aos machos e também não a ela
Em pouco tempo de Rainha Janete foi chamada de vaca e cadela
O dinheiro recuperou a justiça e o prefeito sua honra, todos felizes
Mas quem não ficou foram as bichas e muito menos as meretrizes.

A cidade estava triste, a macharia brochava, sem prazer nenhum
Esposas tentaram beijar os cus dos maridos, e sem sucesso algum
A cidade que era quieta ficou muda e Janete agora usava a língua
E em lugar de beijar, ela amaldiçoou até que morresse a míngua.

Intromissão 4
E se acha o querido leitor, ou leitora ou qualquer coisa que valha
Que da história da inventora do Beijo Grego é o fim, é uma falha
E não se chateie pois há ainda muito que eu ouso lhes escrever
Mas muito daquilo que dela experimentei, não posso descrever.

Grand Finale
E Janete com o bardo formou uma família de pervertidos
Uma mulher e um homem, um par de humanos invertidos
James o terceiro o quarto, talvez o quinto, pares conjuntos
Tinha tantos nessa história, e todos a foder a todos juntos.

A todos Janete deu o Beijo Grego e não tinha cu sem prazer
E a todos ela oferecia sua língua e a tudo que podia trazer
Havia tudo entre todos e entre todos havia tudo que podiam
E até mesmo cachorros com gatos, todos entre eles fodiam.

E James ainda fodia Janete quando o bardo escrevia poemas
Um tolo aquele homem que sabia que versos eram problemas
Escrevia o bardo sua sentença, seus poemas mentiras sem dó
Mas Janete não tinha nem pena nem asco e na corda deu nó.

E enquanto o corpo do bardo balançava pendurado na madeira
Janete lambia outro cu e ria alto numa gargalhada verdadeira
James o cu de Janete também lambia, em uma plena felicidade
E mais ninguém lembrava que fim levou o povo daquela cidade.

Epílogo
E não pensem, amados e tarados leitores filhos da puta sacanas
Que acabam agora do Beijo Grego e Janete as histórias bacanas
Não batam punhetas, enfiem suas línguas nos rabos que amam
E sejam felizes tanto quanto aqueles que as virtudes proclamam.

25/01/2015

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

5 1 Vote
Article Rating
Assinar
Notificação de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários