Poesia – Carta Aos Poetas Modernos

1 –
Poemas são apenas um enorme tormento ao poeta
Ser que não é um artista e sequer nenhum profeta
Vigaristas é o que são, seres malditos em existência
Achando que de fato são heróis da uma resistência.

Que direito tem esses idiotas de falar sobre miséria e pobreza
Enquanto o jantar de amanhã é o que lhe causa uma tristeza?
Uma hipocrisia santa que lhes serve de consolo no colo materno
E que pode livrá-los das trevas e das chamas quentes do Inferno.

Falam esses hipócritas em nome de oprimidos e da dor
Mas a minha curei ontem com comprimidos de Anador
E são tão pobres que desconhecem os preços do aluguel
Mas ainda carecem do mapa com o endereço do bordel.

Que tolos que são os modernos poetas feitos por computadores
Feitos de lógicas e sonhos programados por poderosos ditadores
Não são poetas, são apenas lógicas binárias friamente calculadas
Buscando liberdade dentro de sociedades regiamente reguladas.

2 –
Sonham ir á África ou quem sabe temporadas no Inferno
Mas no fim não abrem mão de sua gravata e de seu terno
Apenas bobos fingindo brindar a liberdade e a putaria total
E que não conhecem das putas sequer um segredo imortal.

Pensam que um Charles era bêbado e o outro era satanista
Mas de Augusto nunca leram nem o “Sonho de Um Monista”
E se lessem falariam merda sem entender sequer um verso
Achando que o esqueleto ao lado era a sibarita do Universo.

Sonham com Paris e cabarés enfumaçados cheirando o ópio
Mas esquecem que na esquina tem um velho fedendo a ódio
E que sua poesia é mais viva que as escritas pelos franceses
Pois não está vivo aquele que nunca morreu diversas vezes.

E sonham de fato o feito de Rimbaud em serem mercenários
Ganhando um bom dinheiro e guardando em seus armários
São tolos que enganam tolos, e sua poesia não é um alimento
E não são nem tão belos que mereçam ter um belo aumento.

3 –
As lembranças lhes causam apatia, reverência lhes é conflitante
Pois almejam o poder sobre aquilo que pode lhes ser cintilante
Assim, a poesia que morreu há meio século sem decente funeral
Deixou por herança bastardos tolos comandados por um general.

Mas a tolice lhes cai muito bem, parceira que é da plena ignorância
Perfeita roupa que combina com sapatos da cor de sua arrogância
Sonhando com uma revolução socialista com estrela rubra na testa
Pois roubar o fruto do suor alheio é somente àquilo que lhes resta.

Malditos sejam, poetas que se alcunham malditos, pela eternidade
Pois jamais o tempo lhe trará o reconhecimento com a perenidade
E se malditos desejam que malditos sejam pelo resto de suas vidas
Pois jamais serão poetas, com as besteiras sujas e pouco atrevidas.

Jamais lhes contaria minhas histórias que não querem sequer ouvir
E se filhos dos seus filhos saberão de como da minha arte se servir
Seus bastardos netos jamais terão a honra de sua herança de glória
Pois foi minha a busca e seu o encontro e da minha vida sua história.


4 –
Disseram que a velhice moeu-me a lucidez e que mata-me a inveja
De uma juventude que já foi minha e hoje a eles o que lhes enseja
Mas se posto que isso já fui, e velhos talvez eles nunca venham a ser
Meu sono é tranquilo pensando que esses tolos fui eu que fiz nascer.

Quanto da inocência de poetas que pensam que são livres, eu sorrio
Sua tolice e insensatez é apenas comparada a uma criança com frio
E quando rimam a liberdade com felicidade, maior o meu gargalhar
Achando que em bucetas peludas nunca fizeram a cabeça mergulhar.

E realmente a poesia ao poeta moderno é apenas um belo tormento
Mas é dela que o pedante sorrateiro retira a seu ego o bom alimento
Esperando um cu cheiroso e umas notas de dinheiro por sua poesia
Sem saber que ela irá lhe cobrar um preço furioso pela sua hipocrisia.

E que ódio tenho de moleques em fraldas, catarrentos e ofendidos
Com suas poesias infames debaixo dos braços suarentos e fedidos
Achando que o planeta precisa de sua mesmice e de seu estoicismo
Marchando eretos e céleres em busca do Santo Graal do Socialismo.


5 –
Fingem-se de lúdicos, amaldiçoam pudicos e amealham a simpatia
E chegando em casa vão ao banheiro bater uma punheta para a tia
São torpes e miseráveis e sua poesia é apenas um trauma de infância
Enterrado bem fundo na mente e sufocado por uma pura ignorância.

Ficam pelados em publico, de pau duro a que chamam de caralho
Sem saber quanto custaria a sua nudez se tivessem de ter trabalho
E se a tolice e vaidade não lhes custa preço pois não sabem o valor
Tiram as roupas sem motivo, pois apenas não querem sentir calor.

E são tão tolos esses que se definem como poetas revolucionários
Não pensam que dos ditadores são apenas mal pagos funcionários
Esbravejando e arrotando cerveja podre e maconha que entorpece
Enquanto seu proprietário arrota escocês como ato que enobrece.

Quanta tolice chamam de poesia, quanto romantismo de punhetas
Cometem tolos versos românticos pensando em comer as bucetas
E de tão tolos que são, pensam que ser poeta é foder putas de graça
Mas não entendem que trepar é bem mais que puro ato de trapaça.

6 –
E agora, nobre e tolo falso poeta, preste atenção ao meu desabafo
Pois que fodi com as putas mortas e em Lesbos com a poetisa Safo
Eu sim, que posso ter comido a sua mãe em um bacanal surrealista
Sim eu, que comi muita bunda antes de sonhares em ser um artista.

Portanto acham que sou eu o tolo, o amargo e o frustrado sem cura
Que meu tempo passou, que minha poesia é antiquada e linha dura
Mas ainda sei escrever com caneta e com um carvão se for preciso
E ainda serei lido no escuro, no obscuro quarto de um ser indeciso.

E quanto a ti, caro poeta das tecnologias patentes da modernidade
Pensas que lhe sobrará um lampejo quando morrer a eletricidade?
Decerto serei morto, como falecido sou desde os primeiros poemas
Mas é certo também que a morte será o menor dos seus problemas.

Creem que sou arrogante e que prepotência é minha marca na testa
Mas eu conheço como separar o que é bom daquilo que não presta
E se acredito que serei eterno é porque morri um minuto a cada dia
Mas não fiz da minha existência ato de misericórdia nem de covardia.

14/03/2014

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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