Poesia – Decomposição

Pagar pelos crimes e comprar um corpo em decomposição
Entre a falha de caráter e o cateter, todos na mesma posição
Compor música, decompor poemas, há mortos na geladeira
Meu uísque sem gelo, a morta que fique com a enceradeira.

Traficam corpos em Amsterdam, nas vitrines mal iluminadas
E beira a loucura meu desejo de vingança em trevas minadas
Poemas sentidos, não tenho me sentido bem ultimamente
Há coisas estranhas nas entranhas escuras da minha mente.

O lunático, a pervertida e o casal de gansos bailam no sereno
Enquanto derrubo no assoalho meu ultimo copo de veneno
O cisne solta gemidos no lago escuro da lua por misericórdia
E não recordo o nome daquela puta do Largo da Concórdia.

É o destino, fala o religioso de dentro de seu terno importado
E meu intestino atualmente a tanta merda não tem suportado
Mãos temem, falta de ar, e pernas que não andam muito bem
E a cabeça não lembra o que precisa e esquece o que convém.

15/12/2013

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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