Poesia – Demônia (Trecho)

Dentro de mim de cabelereira crescida
Habita habilmente um pobre demônio
Que pensa ter sua missão cumprida
Socando as paredes do meu cérebro manicômio
Consegue contornar a parede erguida

Agora olhando meu rosto com olhar satânico
Descubro que aquele estranhíssimo rosto
Que imaginei ser imundo igual de um mecânico
Era muito mais bonito que tinha suposto
Sinto meu corpo inteiro entrar em pânico.

Sempre imaginei que seria ele um homem
Igual aqueles que sonham com uma mulher demônia
E assim depois da masturbação sempre dormem
Imaginando que ela possua cheiro de amônia
Prendem a respiração enquanto a comem.

Ele é feminina com um corpo doce e quente
Trajada de tentação, uma demônia mulher
Que poderia ser bem diferente
Despindo seu pudor igual uma qualquer
A não ser por seu orgasmo frequente.

1/1/1980

Do Livro:
“Arquíloco”, 1981

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

DEPOIMENTO

Poesia boa, pura, em compasso de sofrimento. É preciso colocar esses poemas logo em letra de forma, impressa e ponto final. - Página do Livro - Diário Popular - 21/08/1981
Henrique Novak
São Paulo - SP
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