Poesia – Eterna

Eu a estrangularia sem o menor pudor, remorso ou culpa
A mataria sem porquês, sem pedir perdão, nem desculpa
E o seu cadáver no quintal enterraria na maior inocência
Certo que não há em meus atos nenhuma incongruência.

Decerto que eu a estupraria sem piedade, seu cu foderia
E se não fosse por algum motivo maior, também sorriria
Mas em meu desejo assassino não prevejo ser condenado
Pois a morte que a condenei é por sina de um deserdado.

Com crueldade julgarão meu sortilégio, com ódio mortal
E nem juízes ou jurados saberão sobre a verdade imortal
Mas quando acharem seu corpo esquartejado sangrento
Perceberão que o crime foi a obra de um poeta lazarento.

Sobre seu cadáver nu eu cuspiria e bateria uma punheta
Aproveitaria a rigidez cadavérica para foder tua buceta
Com prazer eu leria o Soneto do Olho do Cu em teu velório
Sarau macabro, comendo a “divina pralina” no crematório.

Desesperado, pensaria preferir teu cu podre ao ser fodido
Por algum desgraçado amante que já não tenha te comido
Ou tua buceta podre a ser chupada por alguma indecente
E então melhor que estejas morta do que ser eu o inocente.

Se em tua buceta morta algum cadáver enfiar o pau duro
Revolverei a sepultura arrancando-lhe a genitália, isso juro
E se algum defunto de outra sepultura tentar foder teu cu
Eu servirei sua carne fedorenta como prato fino ao urubu.

E por sorte e condenação terminarei minha existência pobre
A apodrecer numa cela, servindo de exemplo ao que é nobre
Poeta psicopata condenado por seu desejo de eterna paixão
Que sua amada extinguiu por desídia, ciúme ou compaixão.

Então também morto, serei pronto a penetrar tua sepultura
E foderei a teu esqueleto debaixo de uma mórbida escultura
Cadáver com cadáver, trepada final com gozo de saudade
E assim de forma natural estaremos juntos pela eternidade.

08/02/2015

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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