Poesia – Liga da Justiça

Aquele corpo era um quarto onde habitava meu desejo
Mas um dia chegou o oficial com uma ação de despejo
E no tribunal das causas esquisitas perdi a minha morada
Sendo decretado que agora da juíza era minha namorada.

Na solidão do meu quarto, eu batia punheta e bebia conhaque
Enquanto ela bebia uísque sem gelo com o juiz de cavanhaque
As punhetas doíam minha mão e aquela puta nem era tão legal
E eu lhe dedicava punhetas, enquanto ela fodia com o tribunal.

Puta maldita! Que a justiça te seja cruel, maldita sejas em vida
E que tua morte seja dolorosa com uma doença mal resolvida
Enquanto estarei trancado num quarto, bêbado feito uma porta
Batendo punheta e pensando que tua buceta é que me importa.

Era aquele corpo a morada, o lar e o país da minha vontade
Mas agora, quieto e morto, bato punheta e busco a verdade
E enquanto gozas, louca e infame pelos corredores da justiça
Eu apodreço de ódio, inveja e mágoa daquilo que te enfeitiça.

14/12/2013

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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