Poesia – Memórias de Um Esqueleto Teimoso

Mas acontece é que ser poeta é o meu ofício
Ainda penso eu antes de me jogar do edifício
E o pedreiro ainda cheio de um ódio não secreto
Pensa: “que merda é isso sujando meu concreto?”
E pensa o engenheiro, sem calcular a minha dor
Que nada existe sem ser feito num computador.

Mas acontece que ser poeta é a minha essência
Ainda penso eu, antes de perder minha decência
E se não sei calcular a nenhum acontecimento
Encarno a dor do mundo pesada feito cimento
Carrego o desespero numa espécie na bagagem
E jogo pela janela poemas escritos por bobagem.

E se sou poeta por estilo, por ensejo ou vontade
Ainda no ultimo momento, por desejo ou vaidade
Espero encontrar um motivo para que a calçada
Não encontre meus miolos na sanha desgraçada
E continuar assim a exercer o meu ofício marginal
De ser poeta por ofício, teimosia ou idiotia original.

25/10/2013

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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