Poesia – O Dom do Salvador

Eu tenho a prova certeira e cósmica da inexistência dos deuses
Pois não chegam horas antes de dias, nem anos antes de meses
Não há senhor senão o Tempo a comandar completo o Universo
Como não há mestre algum a construir as paredes do meu Verso.

E se eu, apenas o Poeta podre que numa construção pobre habito
Construo Poesia com a crença da inexistência do que desacredito
Penso que inexiste um deus a comandar as rédeas do meu destino
Sequer um ser a curar a dor que eu sinto no coração e no intestino.

Tenho comigo, antes de morrer, que inexiste o que eu não sinto
E se não enxergo, não por ser cego, mas por ver fora do recinto
É porque não há o que ser visto, e nada a ser avistado no além
E pouca coisa existe no mundo que mereça de mim um amém.

Se não provo a inexistência, é pois que não se prova o inexistir
E a única coisa que posso provar é que existe meu único existir
Eu conheço apenas a mim e a ninguém reconheço por Salvador
A não ser eu mesmo, a quem causo a alegria, a tristeza e a dor.

15/05/2014

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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