Poesia – Politicamente Incorreto Ou: Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade

Quando escrevo não escolho palavras, nem as cores das tintas
E não me importo como escutas ou com que dores é que pintas
Há cores e há dores e há rimas de todas os espectros e matizes
Então que importa se chamo de damas, de putas ou meretrizes?

E quando escrevo não escolho o papel e nem mesmo a cor da caneta
Pois mesmo no computador escrevo poesia como quem bate punheta
Então que importa o instrumento que uso para te conduzir ao prazer
Se escarrar é o mesmo que esporrar, e tudo aquilo que posso trazer?

Quando escrevo, transido e translúcido, nu e pecaminoso feito vela
Coloco em minha poesia toda a maldade que a humanidade revela
Se não sou poeta, mas apenas filósofo iletrado que carrega mortos
O que posso escrever senão a maldição dos que ficaram nos portos?

Quando escrevo o faço por ódio e rancor contra toda a humanidade
E se criticam minha misantropia é porque não conhecem a realidade
Então por que reclamas que pinto as coisas com as cores que tem
E me matas por saber que venho de um lugar que não lhe convém?

Ah, mas quando escrevo, uso todas as letras e palavras existentes
Não abro mão de usar a todas que conheço, todas são resistentes
Letras tem cores, palavras tem sentimento, e palavras morrem
E quando uma morre, proibida, todas as outras a ela socorrem.

Ao escrever uso mesmo aquelas mortas, as palavras moribundas
E são as mesmas que usam as bichas, as putas e as vagabundas
Portanto quando uso palavras certas que manda a minha mente
Chamam a mim de escroto, de porco e de incorreto politicamente.

Eu escrevo e sei escrever da forma que acredito precisa ser escrito
Sou fora de moda, de época, um escritor que precisa ser proscrito
A verdade tem um preço e as palavras custam caro a quem as diz
Absoluta ou relativa é palavra eterna que com a morte não condiz.

E por fim eu escrevo o que precisa ser dito, e digo com muito tesão
Porque essas palavras são as armas poderosas da minha revolução
E se meu caralho te ofende, se te chamar de puta te humilha tanto
Foda-se e guarde para si a tua frustração e teu maldito desencanto.

11/01/2015

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

5 1 Vote
Article Rating
Assinar
Notificação de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários