Poesia – (Que Eu) Descanse Em Paz

Meu nome era Barata, ao menos esse meu codinome
Que escolhi para assinar poemas sem um sobrenome
Eu nasci no inicio da segunda metade do século vinte
Mil novecentos e cinquenta e oito, o ano do requinte.

Se eu nasci poeta não sei, só sei que nasci quase perfeito
E aos quinze anos cometi meu primeiro crime imperfeito
Um poema tosco falando sobre a morte da cultura grega
No dia que perdi o cabaço fodendo com uma puta negra.

Mas pouco importa quantos poemas idiotas foram escritos
Desinteressa quantos crimes hediondos me foram prescritos
E se lês este poema tempos depois da minha última morte
É apenas por acaso do destino ou somente golpe de sorte.

Então, se me lês no meu futuro, fico feliz agora ao escrever
Porque eu morri sem desfrutar de nenhuma gloria de viver
E se agora depois da minha morte esta poesia lhe traz emoção
Que eu descanse em paz, recompensado pela minha devoção.

23/01/2015

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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