Poesia – Roteiro Para Filme Pornô 2 (Sex In Public Places – Subway)

Quando o trem saiu da estação, encostei na tua bunda
E me olhastes com a reprovação de virgem vagabunda
Mas ainda no túnel, antes de chegar à próxima parada
Arregalou os olhos com o desejo hostil de uma tarada.

A estação era a Sé, e antes de chegar a Pedro Segundo
Tínhamos entre nós o maior dos desejos do mundo
E foi ali, com passageiros nos olhando da plataforma
Que começamos essa nossa sacanagem fora da norma.

Quando chegou ao Brás, meu pinto estava rijo e duro
E embora soubéssemos que o trem não é lugar seguro
Começamos a nos comer, feito dois bichos sem freios
E eu segurava teus cabelos e abraçava-me a teus seios.

E a mão esperta até chegar a Bresser, a próxima estação
Rasgava a calcinha que por certo comprastes a prestação
Mas o preço de nada pagava por aquela vontade de foder
E antes de Belém meus dedos no seu cu tinham o poder.

Arregacei-te as pregas do rabo ainda no túnel de cimento
E um gemido de dor e tesão soltastes num acontecimento
O maquinista falou algo importante ao alto falante do trem
Mas só queríamos acreditar naquilo que outros não creem.

Ainda nem era Tatuapé e eu puxava teus cabelos negros
E gemias feito uma hetaira, uma puta dos tempos gregos
Sabendo que eu queria, antes de chegar ao final da linha
Te foder inteira, égua fedida, da forma que me convinha.

No Carrão, pessoas hipócritas nos chamaram de nojentos
Mas eles nem sabiam que trepar não era coisa de jumentos
E foram para suas casas, foder no escuro dos dormitórios
Ou comer suas empregadas doces em mesas de escritórios.

Até chegar em Penha existe uma enorme e bela distância
Tínhamos agora então, o motivo, a razão e a circunstância
E fora das calças o meu pinto pulou e em apenas um gesto
Penetrou-te a buceta lisa enquanto dizias que eu não presto.

A dança do trem com as rodas engolindo aos trilhos de aço
E naquele ritmo, desafiando todas as leis rígidas do espaço
Fodíamos com gosto para a surpresa dos nobres passageiros
Pobres coitados que apenas jogam o jogo dos engenheiros.

Em Vila Matilde, quando o trem apitou e fechou as portas
Jorrastes num gozo melado como se abrissem as comportas
E eu esporrei na tua buceta meu esperma branco e viscoso
Para desespero do crente que rugia dentro do terno vistoso.

“Próxima estação Guilhermina Esperança” falou o maquinista
Sem sequer perceber da delicia daquele nosso tesão anarquista
E antes de deixar a Patriarca, ainda queríamos outra sensação
E engolistes meu cacete antes do trem chegar à outra estação.

Artur Alvim, tua boca no meu pau e usuários de bocas abertas
A surpresa só é boa demais quando acontece nas horas incertas
E antes de chegar no que seria o fim de uma trepada seminal
Gozei na tua cara antes do trem chegar a Itaquera, o terminal.

24/12/2013

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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