Poesia – Sêneca e Eu

Eu busco a morte oportuna, não suporto a dor
Tal Sêneca, suicidado por ordem do Imperador
Quero, apesar dos pesares uma morte honrada
Mesmo que abatido a tiros ou batido a porrada.

A honrarias dispenso, a Nero o que é de Nero, digo
Sou indiferente a morrer rico ou feito um mendigo.
Feito o tio de Lucano também ensinei Agripina foder
Mas jamais devolveria a riqueza aos donos do poder.

O filho de Hélvia despertou a ira de Calígula, o santo
Mas eu, o filho de Ibrandina também, mas nem tanto
E fosse eu preceptor do porco imperador o envenenaria
Ou faria-o poeta soterrando numa parede de alvenaria.

Mas se Sêneca morreu por suspeita de traição ao louco
E na brevidade de sua vida escreveu que nada é pouco
Eu, diante da severidade de minha vida declaro intenso
Que tudo o que há na vida é o pequeno e não o imenso.

28/01/2015

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

5 1 Vote
Article Rating
Assinar
Notificação de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários