Poesia – Sinfonia da Terra Desencantada

Uma dor que chega nunca é o bastante
Porque sempre existirá uma dor restante
E se a escolha e o caminho são por dor
Que seja intensa quanto eu possa supor
Mas se há um caminho oculto na escuridão
Que o encontre antes de morrer de solidão.

Pois façam comigo aquilo que precisa ser feito
Mas façam do jeito que não possa ser desfeito
Há tempos não tenho risos ou lágrimas amargas
As pernas fraquejam, minhas botas estão largas
E se não há remédio é porque não existe doença
E só sobrevivem deuses onde habita a descrença.

Preciso muito de mim, preciso falar o que sinto
E de mim não me esqueço, a mim eu não minto
Preciso estar comigo ainda antes do amanhecer
Falar o que penso de mim, antes do envelhecer
E se outro dia sempre nasce, nem todos morrem
Há dias eternos que apenas do tempo escorrem.

Existem pessoas presas a um conceito de liberdade
Gente diferente matando pelo direito de igualdade
E entre conceitos e direitos existe o respeito ao um
Pois se não ao individuo não pode haver ao comum
É a única Lei que é preciso respeitar sem condição
Sem o respeito não existe Lei, essa é a contradição.

Drogas enriquecem o traficante de olhar sorridente
E entorpecem o soldado, o senador e ao presidente
Há porcos bebendo seu sangue, o suor do seu rosto
Enquanto festejas o gol, outros morrem de desgosto
Religião e comunismo são a morte do pensamento
Pensar é meu crime, réu sem direito o julgamento.

Eu, o neto de um defunto, filho de pai de idade
E pai de filhos que desconhecem a paternidade
Estou agora quase morto, solitário e moribundo
E em nome do pai, do filho e do espírito imundo
Não aceito e nem imploro o perdão de ninguém
Nem agora, nem a hora da minha morte, amém!

07/07/2014

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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