Poesia – Suplício de Tântalo

Sou o vândalo que vomita nas massas dos bolos
O tântalo que rouba o vinho das taças dos tolos.
Dou aos deuses a fome, não a carne de crianças
E conto seus segredos aos donos de esperanças.

E sou um imortal punido com a humana maldade
Pois há distancia entre o ungido e sua iniquidade.
E se um deus é meu pai fui eu parido na escuridão
Pois entre o cume e as profundezas há a podridão.

Quatro cantos meu cantar, quatro olhos a besta
E tem duas bucetas a puta que fodo toda sexta.
Tão distante e tão perto há o limiar da profanação
E tão perto, mas distante a ciência da condenação.

De dia sou o tântalo que testa a existência divina
Mas na noite resta o cheiro de esperma e cocaína.
Dos deuses não entendo sobre as picas e as bundas
Mas roubo-lhes virgens e sirvo-lhes as vagabundas.

16/08/2014

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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