Poesia – Um Morcêgo

Sinto planar sobre minha cabeça um pequeno morcêgo
Então corro e acendo a lâmpada do corredor
Entretanto sinto dentro do coração um grande aconchego
Descobrindo que ele deseja sem qualquer dor
Saciar sua necessidade que acalme seu desassossego.

Olhando aquela criatura negramente tenebrosa
Procuro desaparecer do alcance de seu olhar
Por disseram que seria bastante dolorosa
Uma dentada do bicho em minha artéria jugular.

Pergunto porque lugares teria ele estado
Quantas tabernas e outros antros noturnos
Antes de meu quarto teria ele frequentado
Desejo saber quantos companheiros répteis soturnos
Abandonou antes de pode dormir sossegado.

Escuto sua resposta com uma calma bruxuleante
Enquanto ele conta sobre grandes caçadas
Que participou em um ritmo estonteante
Caçando sem sossego personalidades de almas penadas.

Repentinamente sinto um medonho cheiro de bolor
Deixo-o falar enquanto apanho um espelho de aço
Então enquanto ele discorre sobre sua existência indolor
Descubro que minha recente sensação de cansaço
É porque naquele espelho meu reflexo é incolor.

1/1/1980

Do Livro:
“Arquíloco”, 1981

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

DEPOIMENTO

Poesia boa, pura, em compasso de sofrimento. É preciso colocar esses poemas logo em letra de forma, impressa e ponto final. - Página do Livro - Diário Popular - 21/08/1981
Henrique Novak
São Paulo - SP
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